sábado, 10 de julho de 2010

Cap. [??]

Um estrondo, e é a porta que vai ao chão. Passos firmes e ansiosos entram e não se intimidam, nem sequer desaceleram, na presença de todos os Superiores. Pára, sorri levemente, o dever cumprido gargalha sobre o prêmio desejado.

- Vosso desejo. E agora, minha recompensa.
- É uma pena...

?

- É uma pena proporcionar-lhe tanta frustração.
E os Superiores desaparecem como fumaça esfacelada por brisa suave. Um último demora mais.
- O que é isso?! Voltem aqui! Você! O que significa- eu- AS MINHAS ASAS!!
- Você foi excepcional. - e a última voz distorcida de divindade sumiu junto com seu dono na calma daquela bruta sala de paredes de pedra.

O sorriso confiante foi rompido. Os olhos descansaram. O punho se fechou.
Uma vida de pensamentos aparentemente se passou pela mente daquele homem enquanto respirava fundo e entendia o que acontecera. Um silêncio diferente limpou o castelo de qualquer ruído para precedir a uma jura gutural.

- MATAREI TODOS VOCÊS!! Malditos sejam! Criaturas dos infernos, filhos-da-puta, arrogantes desgraçados!

E agora não era uma simples porta que caía. Eram paredes e pilares. Qualquer pedra diante daquela erupção de raiva era um obstáculo a ser queimado e desintegrado com todo o ódio que uma vida de enganos pode suportar. Mentiras. Mentira!
A clava quebrou e trincou tudo que estivesse ao seu alcance até um pingo de calma surgir.
O homem ofegava.
Fechou os olhos, perdeu expressão e desarmou-se.
Um pingo de calma e razão não eliminou aquela raiva, apenas a domou. Estava agora enjaulada. Não foi engolida. Apenas guardada para ser expelida depois. Enjaulada, pra ser solta no momento certo.
E agora o anjo de uma asa só começa a andar. Uma promessa pra si mesmo.

- Em breve, deuses implorarão por misericórdia. Sentirão todos o mais humano dos arrependimentos, e oferecerão todos os mais divinos presentes. E depois de chorarem perante o mundo do qual abusam, se derretendo de vergonha, terão a mais desumana de todas as mortes.

Espero que haja um inferno para vocês, ou eu irei criá-lo.