sábado, 26 de março de 2011

carta de navegação ateísta.

Não há um ou mais deuses aqui.
Não vim a este lugar com uma missão determinada por forças maiores que eu.

Não existem mandamentos divinos escritos nos meus ossos, o que me faz crer que nada está definido desde meu nascimento. Quem escreve essa história - e aos poucos os meus mandamentos - sou eu.
Eu mesmo vou construir meu navio e viajar pra onde eu quiser, longe de regras irracionais, longe desses vossos grilhões. Como navegante de fora das esquadras oficiais. Talvez pirata do mundo, porque as correntes das religiões de vocês, bilhões, jamais me prenderão.
E sendo esse pirata, navegarei.

A diferença entre a tripulação do meu navio e dos outros é que nós sabemos que, no final, esse grande oceano vai terminar numa enorme catarata, beira de abismo sem fim, preenchida de silêncio, e todos os barcos ali se findarão.



Vou fugir de vocês, vou pra onde eu quiser no meu navio de piratas.
Sem pressa demais, sem dor demais, sem amor demais.
Tudo é só história, tempo, água, águas...



H.G.S.