domingo, 23 de outubro de 2011

SOLO

Eu não poderia deixar de me arrepiar. É como se ela falasse.
Ela, não o instrumento; ela, a personagem. Que muda para cada um, mas que para a maioria das pessoas e na maioria das vezes é o próprio eu, que gosta de remoer emoções.
É como se ela falasse, e mais do que falar. As frases lentas Confortavelmente apresentam o tema, e quando a velocidade daquela voz sem língua se acelera e atropela o tempo dá pra sentir na pele, nos ossos, em tudo, tudo aquilo que a alma queria gritar.
É como alguém que pragueja contra o mundo, como a alma quer fazer. Grita maldições, chora de raiva e pede pra brigar contra o universo. É como alguém que implora pelo fim do mundo, como a alma tantas vezes quis. A voz abaixa e aumenta, e é possível encontrar Entorpecida a declaração de amor ou de guerra que se quiser.
Amor, ódio, dor, doença, solidão, morte, escuridão, céus escuros, nuvens negras, caos, tédio, saudades, mais solidão, mais dor, mais alto, mais alto, mais alto.

Pode ser muitas coisas, mas seu propósito é de ser basicamente, fundamentalmente, sempre, absurdamente, triste.


H.G.S.