domingo, 4 de agosto de 2013

No alto

para L. A. B.

Sem mais pressa.

Não corro mais atrás dos trens.
Não corro mais com vocês.
Sinto muito.
Não mais.

Preciso ficar, por algum tempo.
Parecem ter certeza enquanto percorrem.
Traça-se rumos,
e muitos atalhos.
Rápidos, vocês vão
porque o tempo é pouco.
(mesmo)
Mas, sinto muito,
Eu não.
É porque o tempo é pouco
que choramos na despedida?

Mas eu aprendi a esticá-lo.
Dobro-o.
Primeiro, apenas fico, melhor observo,
respiro,
sinto,
e aos poucos, meço.
Começo o novo.

Não me veem nem verão.
É rápido o trem que rasga as montanhas e até
sob água faz-se ecoar
num túnel.
Mas também chegarei lá. Eu não preciso do trem.

Eu vou voar.