quarta-feira, 7 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
QUE PAIS É ESSE?
Difícil não se lembrar do título da canção de Renato Russo, cantada pela sua banda Legião Urbana, ao ler a coluna da competente Mônica Bergamo no último domingo. Antes de seguir em frente, digo logo que não sou nenhum comunista. Considero o capitalismo, dentro das circunstâncias atuais, o modelo mais apropriado para garantir o crescimento da economia mundial, com seu estímulo à competitividade e à lucratividade. Não é um modelo perfeito, mas funciona com todas as suas imperfeições. Entre elas, a principal, em minha opinião, é não ter eliminado ou reduzido a contento o fosso entre ricos e pobres.
Bem, voltando ao início, é exatamente por isso que, ao ler a coluna de Mônica Bergamo, bateu o mesmo questionamento de Renato Russo. Impossível, na minha opinião, ler o "Guia da Pechincha" e não perguntar "que país é esse?". Está lá impresso, no caderno Ilustrada da Folha, que foi aberta a temporada de liquidações das grifes internacionais e clientes saíram correndo para comprar casacos por R$ 28 mil, vestidos por R$ 16 mil e botas por R$ 3.000. E, segundo registra a jornalista, a turma do andar de cima, como diz Elio Gaspari, achou tudo barato, avaliou que "o preço tava ótimo!".
A coluna de Bergamo revela o mundo da pechincha das grifes internacionais, de como o andar de cima consome o seu dinheirinho. Tudo bem, eles têm direito de gastar sua grana do jeito que quiserem, ainda mais se foi ganho honestamente. Ninguém tem nada com isso. Cada um faz o que quiser com o que é seu. Não vou nem entrar em comparações sobre quantas famílias poderiam receber o benefício do Bolsa Família com o casaco de R$ 28 mil adquirido na liquidação. Gostaria, sinceramente, é que a turma que governa esse país parasse para meditar um pouquinho sobre essas cenas de realismo fantástico relatadas no "Guia da Pechincha". Principalmente os políticos, como Serra e Dilma, que, neste ano eleitoral, estão disputando a sucessão do presidente Lula.
Sabe por quê? Primeiro, porque, proporcionalmente, o rico paga muito menos imposto do que as classes média e baixa desse país chamado Brasil. A baixa não paga impostos diretamente, mas sofre com a tributação indireta embutida nos produtos que consome. A média é tributada diretamente pelo Leão da Receita Federal e não tem como fugir da mordida. Quando tenta, corre o risco de cair na famosa malha fina. Já a classe alta, a verdadeiramente rica, tem fórmulas e fórmulas de fugir da tributação. As famosas brechas tributárias, ou elisão fiscal, no jargão fiscal. Assim, essa classe deixa de contribuir como deveria para os cofres públicos.
Enquanto isso, ela desfila pelas liquidações de grifes internacionais, torrando até R$ 200 mil em casacos de pele, de couro e outras peças por cabeça. Isso mesmo, uma única pessoa torrou essa grana na liquidação. Repetindo, se o dinheiro é dela, o que eu tenho com isso? Ela tem o direito de fazer da sua grana o que bem entender. Só que, quem governa esse país, deveria dar uma olhada mais atenta sobre essa turma. Checar se realmente está pagando impostos equivalentes ao seu poder de compra. Com certeza, vão descobrir que muitos não estão. Posso estar errado, mas a pessoa que comprou uma única peça de grife internacional por R$ 35 mil pode muito bem não ter contribuído para a Receita tanto quanto um assalariado de classe média. O triste da história é que, se esse grupo pagasse na mesma proporção que os demais, o tal fosso entre ricos e pobres poderia ser menor.
Aí vem o segundo ponto que os candidatos deveriam observar. Enquanto alguns poucos têm mais do que o suficiente para torrar sua grana em grifes internacionais, a maioria sobrevive com baixos salários. Esse fosso entre classes é o retrato da nossa desigualdade de renda, que está entre as maiores do mundo. Isso mesmo, continua sendo uma das maiores do mundo. E trabalhar para reduzi-la não significa ir contra o sistema em vigor. Pelo contrário. A experiência mostra, inclusive, que a economia melhora quanto mais renda for distribuída.
O detalhe dessa questão é que ninguém se mostra muito disposto a mexer com esse pessoal da classe alta. Principalmente quando se chega ao poder e com ele começa a conviver.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/valdocruz/762301-que-pais-e-esse.shtml
quinta-feira, 1 de julho de 2010
SONETO - CHICO BUARQUE
Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio
(um dos poemas mais lindos que eu já li)
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Tem cara de vício
Anda pela estrada
Não tem compromisso
O amor é isso
Tem cara de bicho
Por deixar meu bem
Jogado no lixo
O amor é sujo
Tem cheiro de mijo
Ele mete medo
Vou lhe tirar disso
O amor é lindo...
O amor é lindo
Faz o impossíve
O amor é graça
Ele dá e passa
O amor é livre
O amor é livre
O amor é livre
O amor é livre"
quinta-feira, 24 de junho de 2010
(Em janeiro de 1985, no Rock in Rio)
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/752891-leia-trechos-da-biografia-do-ozzy-osbourne.shtml
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Tell the rain not to drop
Tell the wind not to blow
Cause you said so
Tell the sun not to shine
Not to get up this time, no, no
Let it fall by the way
But don't leave me where I lay down
Tell me love isn't true
It's just something that we do
Tell me everything I'm not
But please don't tell me to stop
Tell the leaves not to turn
But don't ever tell me I'll learn, no, no
Take the black off a crow
But don't tell me I have to go
Tell the bed not to lay
Like the open mouth of a grave, yeah
Not to stare up at me
Like a calf down on its knees
Tell me love isn't true
It's just something that we do
Tell me everything I'm not
But please don't tell me to stop"
uma figura para olhar e amedrontar-se
de uma pureza que some
com toda leveza que vai indo, vai indo...
a vida perde o sabor da aventura
por melhor que esteja, está fria e dura.
um brilho luzente hoje é sombra
que lembra passado, tragédia e miséria.
qualquer sinal de clareza garante sorriso
maravilha incessavel e inalcançavel.
estando num beco ilustrado por estrelas negras
qualquer fio de luz é paz constante.
fim da linha marcada por pegadas
que ficaram leves, expostas a qualquer vento
cruel, forte, malvado, impiedoso
de uma leveza que vai indo, vai indo...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
JOSÉ DE SOUSA SARAMAGO
"Para temperamentos nostálgicos, em geral quebradiços, pouco flexíveis, viver sozinho é um duríssimo castigo."
"É preciso variar: se não tivermos cuidado a vida torna-se rapidamente previsível, monótona, uma seca."
"Há situações na vida em que já tanto nos dá perder por dez como perder por cem, o que queremos é conhecer rapidamente a última soma do desastre, para depois, se tal for possível, não voltarmos a pensar mais no assunto."
"O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas..."
"As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder."
quinta-feira, 17 de junho de 2010
o papai fugiu para a Índia com uma prostituta colombiana. vendi a casa e deixei 500 reais para você pagar a mensalidade do cursinho no mês que vem. também deixei uma indicação na padaria do Robson para você ser garçonete e conseguir terminar seus estudos.
seu irmão agora tem uma banda de gente colorida e foi morar com o namorado dele no Rio de Janeiro.
vendi so cachorros - inclusive a nicole - para uma empresa chinesa que processa carne canina afim de ter mais dinheiro, já que decidir ter mais filhos com a Consuelo.
sua mãe mandou dizer para você não esquece-la naquela clínica de reabilitação para dependentes químicos.
não sei como será a sua vida a partir de agora. queria te dar alguma coisa para ajudar o sustento do seu filho que virá a nascer. 17 anos e grávida do Valdão Pedreira... como a vida muda, né?
infelizmente só posso desejar boa sorte.
ass: Papai."
ok, as coisas poderiam estar piores.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
percebi que a vida é uma obra de schopenhauer e que só faz sentido quando entendemos que "a vida é um pêndulo que oscila entre o desejo, a vontade e o tédio". torno a dizer, "a vida é um pêndulo que oscila entre o desejo, a vontade e o tédio".
hoje eu estou amargamente frustrada, dilacerada por sentimentos que correm a flor da pele e dignamente triste.
amanhã ou depois, estarei feliz por algum motivo. talvez uma vitoria alcançada...
dias após a felicidade, encontrarei a angustia novamente. terei uma luta violenta e cheia de sangue contra ela. vencerei, e como premio, terei a felicidade novamente na palma da minha mão.
algum tempo depois, a mesma escorregará sem que eu perceba e partirá sem deixar carta de despedida. é quando a tristeza virá me visitar.
e assim, sucessivamente.
parei de acreditar na vida e nas coisas boas que ela pode me trazer um dia.
parei de acreditar nas pessoas e em suas lamurias. todas justas - ou, pelo menos, justificáveis.
"o sentido da vida é a total ausência de sentido".
observarei tudo de longe, com movimentos hermeticos e discretos.
viverei a cada dia tentando mudar o mundo ao meu redor, pois não consigo fechar os olhos e cair num isolamento egoísta. vejo além do que as pessoas precisam e isso não é pretenção ou arrogância de minha parte.
sou digna de amor, pois sou amável. precise de mim e te darei minha mão e meus ouvidos.
não aproveite da minha bondade, pois em mim há muito amor.
não tentarei ser perfeita, pois "perfeição demais me agita os instintos. quem se diz muito perfeito, na certa encontrou um jeito insosso para não ser de carne e osso!", mas tentarei encontrar motivações para a vida.
viverei no caos da depressão quando preciso for e no doce da alegria quando puder.
jamais tentarei dar sentido a vida.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
andei por um quarteirão até uma mercearia aqui perto. comprei um quilo de macarrão para fazer sopa de feijão e voltei andando de cabeça para baixo, olhando a minha calça de brim batendo no meu chinelo branco. era um dia frio, e além da calça eu usava um moletom cinza.
cumprimentei dois senhores que, sentados, contavam causos. um deles tinha um cachorro deitado aos seus pés e o outro usava chapéu. eu não conheço aqueles senhores, mas sempre os vejo sentados no mesmo lugar, com o mesmo chapéu e o mesmo cachorro.
ao virar uma esquina, senti uma pedra perfurar meu pé direito. de imediato pensei em chorar. eu odeio sentir dor, ainda mais quando esta é seguida de sangue. fui mancando até o portão da minha casa, e antes de tocar a campainha para que minha avó me atendesse resolvi olhar meu pé: não havia sangue, mas havia muita dor. então, toquei a campainha. minha avó custou a atender e tudo o que ouvia-se eram latidos de dois poodles que ficam no meu quintal. babie e nino.
toquei denovo temendo que os latidos pudessem ter abafado o som do aparelho. foi quando eu ouvi minha avó gritar "espera um pouco!", e nesse momento, ciente de que passaria rápidos dois minutos em frente a minha casa, olhei para o céu. desci a vista um pouco e vi vários prédios. vi algumas árvores, coqueiros... senti que tudo aquilo era meu e lembrei-me de coisas que fiz naquele pequeno centro comercial de Catanduva.
vi a cena de amigas em um apartamento (eu, jéssica, manuela e monica). vi a cena de dois irmãos nadando na piscina do clube de tenis (eu e arthur). vi a cena de uma menina comprando uma boneca barbie para ganhar no natal (eu, minha avó, meu irmão e minha mãe). vi a cena de uma classe de oitava série na missa de formatura (a minha oitava série).
percebi que não odeio integralmente essa cidade. prefiro lugares onde o fluxo de pessoas é maior, mas acho que não reclamarei com tanta frequência daqui por diante.
minha avó abiru o portão afobada e disse "obrigada, filha. coloco batata na sopa?"
"sim, vó. pode por..."





