terça-feira, 21 de setembro de 2010

"(...) quase me mata, e se não mata fere."
as vezes a força parece que escorre do meu corpo, pinga no chão e me faz escorregar na vida.
eu estou ficando fraca, magra de tristeza e desnutrida de amparo. não quero que as pessoas sofram com as consequencias do meu desespero, mas as vezes eu não vejo saída.
as idéias mirabolantes tomam a minha cabeça e roubam a minha razão. me deixam desprotegida e desarmada contra os golpes da vida. os golpes covardes que as pessoas causam sem querer.
desde muito tempo eu não tenho nada que me deixe significativamente feliz: eu não consigo rir e por incrível que pareça, já não consigo mais chorar.
"Não fui, na infância,
como os outros
e nunca vi como os outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar das fontes igual à deles;
e era outro o canto,
que acordava
o coração de alegria
Tudo o que amei, amei sozinho."

Edgar Allan Poe
"Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto soleneminha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente."

Maiakovski in "Dedução"

terça-feira, 7 de setembro de 2010

era como se a gente fosse análogo a um tipo de rock n' roll. aquele que é sujo, gritado, suado, clássico, sem cor. preto no branco.
nós dois somos o preto no branco. o meu amor por você é a verdade nua e crua, é aquela coisa que não faz nenhum sentido, mas que faz todo o sofrimento vir a tona quando a ausência fica marcada no cotidiano de uma alma sozinha, esperando... esperando...
é revoltante ver como nós somos um do outro. é um molde perfeito. o teu olho cabe no meu e parece me matar cada vez que me intimida. cada vez que queima a minha vista desprotegida com toda essa vermelhidão linda, que me apaixonada a cada dia mais.
eu faço da minha vida a tua se for preciso. eu não me importo em sangrar por você... eu já não me importo mais... já esgotei tudo o que eu poderia perder desde quando te vi pela primeira vez. já sabia que você seria meu e que essa batalha com a vida seria sufocante.
amo tanto que não sei mais esperar. amo tanto que não aguento mais viver sem ver. afinal "o único motivo razoável para seu sumiço seria você estar morto."

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

persona1: eu sou bissexual, gosto de homem e de pau.
persona2: eu sou bissexual, gosto de mulher e de buceta.
persona1: ão ão ão, meu forte é a rima.
persona1: UAHEUAHEUAHUEHAUEA
persona2: AUUEHAUHEHAEEAUHEUHAEUA BOA
persona2: vi o bento gonçalvez no tropa de elite ontem.
persona1: que?
persona2: o bento, colega da dani.
persona2: vinho de morango.
persona1: AQUELE É O BENTO RIBEIRO.
persona1: bento gonçalvez é o da revolução farroupilha!
persona2: troquei os nomes
persona2: KEKEKEKEKEKEKEKE
persona1: KEKEKEKE, WTF?
persona2: risada escandalosa, KEKEKEKEKE

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

No Onibus:

A velha acena para o motorista pedindo que ele pare e a deixe entrar. Está com um vestido verde de flores vermelhas. Insólito. Carrega uma sacola de supermercado e um banco de metal desmontável.
- Pera aí seu motorista que eu to quesse banquinho aqui que é por causa que eles tiraro o banco aqui do ponto - respiração, recebe o troco, deixa o banco cair causando muito barulho - ô droga de banco! um minutinho só seu motorista é que o banco caiu aqui essa droga de banco caiu...
O motorista não parecia nervoso, fez um expressao com o rosto de que não havia problema. Certamente ele pensava "coitada, é velha...".
- Pronto, agora tá pronto viu. Brigado viu seu motorista. - olha pelo corredor no onibus e não enxerga nenhum lugar disponivel mais ao fundo - acho que vo sentar aqui do seu lado viu meu senhor cê me perdoa desse banco aqui é que eu não posso fica dipé nesse sol que eu até vumito. Eu passo mal e até vumito nesse sol.
- É, o sol tá quente... - responde o homen mecanicamente.
- É tá quente viu tá impossívi.
O motorista segue o trajeto e anda cerca de seis quarteirões, quando pergunta:
- A senhora já morou em sítio?
- Eu?
- É.
- Eu já morei nim sitio sim tinha que trabalha o dia intero nesse sol quente. Culpa disso que eu não consigo mais fica dipé nesse sol né muito quente aí eu carrego esse banco aqui.
- A senhora já tirou leite de vaca? - o motorista pergunta em interesse algum no que a velha havia dito.
- Eu tirava leite de vaca, carpia os... - foi interrompida por uma colocação do motorista:
- No sitio as pessoa também usa um banco. Só que é amarrado na bunda, pra tirá leite da vaca.

isso é a realidade do Brasil: politico andando de jato particular e uma velha que anda carregando um banco por que não existe mais assento no ponto de onibus.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

... essa frase levou meu pensamento para longe. Aquela boca vermelha feito maça polida em barra de camisa. Ornamentada com uma cicatriz protuberante no centro - milimétricamente medida. Que me disse para ser mais tranquila e menos medrosa. Que me beijou fazendo a minha boca fina e insossa responder com alegria. Que ofegou entre meu ombro e orelha direita.
Reconstitui a situação - saudade e vontade. Revi aquelas mãos seguras e ouvi uma voz despreocupada e nada temerosa. Era o meu contrario. Eu não queria te-lo para mim. Jamais desejei possuir seu pensamento ou tornar-me sua cônjuge. Só queria que ele fosse bom para mim.
Fiz o que quis e a força na natureza me impediu de atuar mais profundamente naquele instante. Pela primeira vez agradeci aos céus por ter hormonios e não ter um Diane35 na bolsa. Certamente eu agiria como bicho: mas consciência e hormonio só as fêmeas humanas tem. Só as mulheres.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Crença - Lenine

Eu só penso em você\Depois que eu penso em mim\E eu penso tanto em nós dois\Sei que é de cada um\E acho até comum\Pensar assim de nós dois\Vai que a gente pensa igual\E acho isso normal\O igual da diferença\Cada um, todo ser\Tem sua crença\Eu só penso em você\Depois eu penso em mim\E eu me confundo em nós dois\Sei quando viramos um\E aparece um\Que se mistura em nos dois\Vem não há o que pensar\Melhor achar normal\Viver a diferença\Pensa não, deixa assim\Que a vida pensa\Tanto por viver, tento não jogar\Pra baixo do tapete essa poeira\Tonto de você tento não pensar besteira\Tanto por você, para o nosso bem\Às vezes fica um com e o outro sem\Seja como for somos nós e mais ninguém\O que eu quero de você\E você quer de mim\Nós decidimos depois\Eu só penso em você\E tenho aqui pra mim\Que você pensa em nós dois.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

G. G. M.

''Naquela noite interminável, enquanto o Coronel Gerineldo Márquez evocava as suas tardes mortas no quarto de costura de Amaranta, o Coronel Aureliano Buendía arranhou durante muitas horas, tentando rompê-la, a dura casca da sua solidão. Os seus únicos momentos felizes, desde a tarde remota em que seu pai o levara para conhecer o gelo, haviam transcorrido na oficina de ourivesaria, onde passava o tempo armando peixinhos de ouro. Tivera que promover 32 guerras, e tivera que violar todos os seus pactos com a morte e fuçar como um porco na estrumeira da glória, para descobrir com quase quarenta anos de atraso os privilégios da simplicidade.''

Cem Anos de Solidão - pedacinho.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

DESABAFO: LONGO E MAL ESCRITO.

Bem, isso é constrangedor. Viver num mato sem cachorro constante, sem poder correr ou ser feliz de verdade. Tanta coisa ruim acontece e qualquer sinal de bonança parece um mar de alegrias. Não é bom, não é saudável.
Sou o tipo de gente que enfrenta as situações tentando poupar a minha dor e a dor do outro na minha frente. Não tenho medo de olhar no olho e dizer aquilo que precisa ser dito. Digo para o ser em questão e para os seres que não estão em questão: simplesmente não sou capaz de segurar mais nenhuma sentença, exceto em algumas ocasiões, para algumas pessoas. Isso é o que me preocupa. Essas pessoas de quem eu falo são as mesmas que deveriam me dar bons exemplos e resguardo nos dias escuros. Mas as vezes eu sinto nojo e repugnância das mesmas... Não é por que a vida está muito boa que devemos desafiar o acaso, brincar com a sorte. O mundo merece respeito. O serviçal merece. A puta merece. A criança merece. O mendigo e o indigente também. O MUNDO MERECE RESPEITO.
Jogar bosta no dinheiro e na integridade das pessoas não é direito. Corromper a vida de um humano em formação não é direito. Achar que a vida é boa demais não é direito. Achar que eu sou feliz demais é ilusão.
Não acredito que para sentir-se realizado e vingado seja necessário fazer coisas que eu não quero só para mostrar que eu tenho o poder na minha mão. Só faço o que quero. Nasci assim e tenho total autonomia para isso. Não sei comprar por comprar, comer por comer, amar por amar.
Não sei viver de falsas expectativas e muito menos com gente suja e hipócrita ao meu lado. É isso que eles são... Mesmo sem saber. As pessoas mudam com a convivência de outras. O luxo mata a bondade e a simplicidade. Eu gostava mais de andar com sapato de plástico e camisa de propaganda, de verdade - não mentia pra ninguém quando a minha vida era assim. Não quero ser formada e ganhar rios de dinheiro, tampouco quero amigos que me gostem somente por isso.
Eu PRECISO de uma família de verdade... Eu preciso que me escutem pelo menos uma vez. Eu sofro por isso e a cada dia percebo que não tenho a obrigação de amar quem tem o meu sangue.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cansada de procurar motivos para entender a vida, ******* calou-se e propôs a si mesma que levasse sua existência da meneira constante que já estava levando a algum tempo. Ela queria trabalhar mais e ganhar mais dinheiro, porém, não estava satisfeita com o seu trabalho. Dar aulas de inglês não fazia seu coração palpitar - ela tinha isso como profissão pois morou em NewOrleans durante algum tempo devido ao trabalho de sua mãe no consulado.
Ela não gostava de caminhar pelas ruas de Copacabana. Não gostava de sentir a presença de muita gente aglomerada e adotou a teoria de que talvez existisse muita gente ou pouca calçada ou então muita gente para pouca calçada.
Tinha loucura por suas gatas. Tinha alguns machos também, mas não eram castrados e fugiram de seu apartamento.
******* passava a maior parte do tempo sozinha. Tinha um namorado que a visitava algumas vezes por semana.
Nos momentos de solidão, pintava quadros e escrevia poemas em inglês.
A mulher garota não conseguia olhar nos olhos das pessoas. Tudo o que ela dizia era verdade e o fato de não conseguir encarar seus interlocutores cabia apenas ao medo que ela sentia. Um sentimento de medo desconhecido que não ousava explicar e nem sequer entender.
******* se auto intitulava "uma pessoa dúbia" por detestar certas coisas e mesmo assim, amar incondicionalmente outras.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

- Os amores que joguei pela janela esperando você...
- Jamais pedi que me esperasse. Dei certeza de meu caráter duvidoso e de minha vida insensata.
- Não te culpo por isso. Acho que o erro foi inteiramente de minha parte, deveria ter ouvido as pessoas que me quiseram bem.
- Concordo com você, apesar de gostar da sua presença e da sua carne.
- Você gosta da minha presença?
- Gosto da sua presença.
- ...
- Gosto da sua presença e de você, mas não tenho o mínimo controle sobre as minhas ações. Voltaria a te magoar se você me deixasse.
- Você é sádico?
- Eu não sou sádico.
- O que você é, então?
- Sou egoísta. Quero você, mas não sei querer apenas você.
- ...
- ...
- Pode voltar a noite, a porta estará aberta.
- Você me perdoou denovo?
- Sim.
- Não voltarei essa noite.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

nota: quem escreveu essa musica do Engenheiros foi o Hugo. pra mim, Engenheiros é coisa de viado.
(as pessoas me odeiam por isso)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

4 de Abril de 1958 - 7 de Julho de 1990
"meus heróis morreram de overdose. meus inimigos estão no poder. IDEOLOGIA, EU QUERO UMA PRA VIVER!"

terça-feira, 6 de julho de 2010

QUE PAIS É ESSE?

Difícil não se lembrar do título da canção de Renato Russo, cantada pela sua banda Legião Urbana, ao ler a coluna da competente Mônica Bergamo no último domingo. Antes de seguir em frente, digo logo que não sou nenhum comunista. Considero o capitalismo, dentro das circunstâncias atuais, o modelo mais apropriado para garantir o crescimento da economia mundial, com seu estímulo à competitividade e à lucratividade. Não é um modelo perfeito, mas funciona com todas as suas imperfeições. Entre elas, a principal, em minha opinião, é não ter eliminado ou reduzido a contento o fosso entre ricos e pobres.

Bem, voltando ao início, é exatamente por isso que, ao ler a coluna de Mônica Bergamo, bateu o mesmo questionamento de Renato Russo. Impossível, na minha opinião, ler o "Guia da Pechincha" e não perguntar "que país é esse?". Está lá impresso, no caderno Ilustrada da Folha, que foi aberta a temporada de liquidações das grifes internacionais e clientes saíram correndo para comprar casacos por R$ 28 mil, vestidos por R$ 16 mil e botas por R$ 3.000. E, segundo registra a jornalista, a turma do andar de cima, como diz Elio Gaspari, achou tudo barato, avaliou que "o preço tava ótimo!".

A coluna de Bergamo revela o mundo da pechincha das grifes internacionais, de como o andar de cima consome o seu dinheirinho. Tudo bem, eles têm direito de gastar sua grana do jeito que quiserem, ainda mais se foi ganho honestamente. Ninguém tem nada com isso. Cada um faz o que quiser com o que é seu. Não vou nem entrar em comparações sobre quantas famílias poderiam receber o benefício do Bolsa Família com o casaco de R$ 28 mil adquirido na liquidação. Gostaria, sinceramente, é que a turma que governa esse país parasse para meditar um pouquinho sobre essas cenas de realismo fantástico relatadas no "Guia da Pechincha". Principalmente os políticos, como Serra e Dilma, que, neste ano eleitoral, estão disputando a sucessão do presidente Lula.

Sabe por quê? Primeiro, porque, proporcionalmente, o rico paga muito menos imposto do que as classes média e baixa desse país chamado Brasil. A baixa não paga impostos diretamente, mas sofre com a tributação indireta embutida nos produtos que consome. A média é tributada diretamente pelo Leão da Receita Federal e não tem como fugir da mordida. Quando tenta, corre o risco de cair na famosa malha fina. Já a classe alta, a verdadeiramente rica, tem fórmulas e fórmulas de fugir da tributação. As famosas brechas tributárias, ou elisão fiscal, no jargão fiscal. Assim, essa classe deixa de contribuir como deveria para os cofres públicos.

Enquanto isso, ela desfila pelas liquidações de grifes internacionais, torrando até R$ 200 mil em casacos de pele, de couro e outras peças por cabeça. Isso mesmo, uma única pessoa torrou essa grana na liquidação. Repetindo, se o dinheiro é dela, o que eu tenho com isso? Ela tem o direito de fazer da sua grana o que bem entender. Só que, quem governa esse país, deveria dar uma olhada mais atenta sobre essa turma. Checar se realmente está pagando impostos equivalentes ao seu poder de compra. Com certeza, vão descobrir que muitos não estão. Posso estar errado, mas a pessoa que comprou uma única peça de grife internacional por R$ 35 mil pode muito bem não ter contribuído para a Receita tanto quanto um assalariado de classe média. O triste da história é que, se esse grupo pagasse na mesma proporção que os demais, o tal fosso entre ricos e pobres poderia ser menor.

Aí vem o segundo ponto que os candidatos deveriam observar. Enquanto alguns poucos têm mais do que o suficiente para torrar sua grana em grifes internacionais, a maioria sobrevive com baixos salários. Esse fosso entre classes é o retrato da nossa desigualdade de renda, que está entre as maiores do mundo. Isso mesmo, continua sendo uma das maiores do mundo. E trabalhar para reduzi-la não significa ir contra o sistema em vigor. Pelo contrário. A experiência mostra, inclusive, que a economia melhora quanto mais renda for distribuída.

O detalhe dessa questão é que ninguém se mostra muito disposto a mexer com esse pessoal da classe alta. Principalmente quando se chega ao poder e com ele começa a conviver.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/valdocruz/762301-que-pais-e-esse.shtml