domingo, 17 de abril de 2011

(...)

Situações que me fogem ao controle deixam-me diabolicamente intrigado. Ao contrario disso, considero-me um homem hedonista. Na verdade, sou um homem hedonista quase por completo, pois amo o meu trabalho, mas horas sinto vontade de larga-lo. Não sou do tipo que gosta de acordar cedo e ter horários ao longo do dia. Chega a ser torturante e desfacelante aos meus olhos.

Minha vida poderia ser chamada de “boemia” por muitos e talvez, de fato, seja. A questão é que não sou um boêmio por que quis assim. Os lances da vida me fizeram assim. As circunstancias me enganaram as vezes, e deste modo, decidi seguir sozinho a minha historia.

Olho-me no espelho, e nada mais vejo senão as rugas que agora estão protuberantes na região superior de meu rosto. Meus olhos ainda são cinzas e tristes como a vinte anos atrás. Meu cabelo continua a cair, e adquiri uma barba que me deixou com aspecto de velho. Meu sorriso, outrora constante, hoje está em tom amarelado, como as areias de um deserto sob um sol escaldante. Entre tantos cigarros, não obtive nenhum beneficio. Apenas consegui amarelar-me a boca.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

"Vejo daqui, você de óculos escuros
Vejos por trás, um imenso mundo
Te vejo assim, calado e quieto
Um pouco mudo...

Querendo encontrar toda beleza que me dá

O seu olhar, tão fácil assim
Me deu o que falar
E ao mesmo tempo
Tirou a palavra de mim


E assim que eu te vejo
Vou descobrindo o seu mundo
Tentando um jeito meio tolo
De trazer você pra mim..."

P, 14/04/11

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Aqui essa imensa janela
E por fora dela, ventos
sssssssssssssssssssssss
Que de fortes e tão frios
Provam que o inferno é aqui.

Aqui.


Aqui.



Aqui.

Mas embaixo do cobertor
Tudo é quente
Acalenta e aconchega
O amor que o corpo sente.

Hoje você vai embora
Me deixa como havia de deixar
Mas a minha vida está mal
Desacostumou de não te ouvir dormir,
Beirou a loucura
Expulsou a sanidade
Feriu-se pela tua ausência.

Au

sên

...


-Tê, 13/04/11

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Na escuridão a vida chama a gente

O perigo vira brilho no olho

De qualquer criança mal acostumada

Com as necessidades da vida.

E a noite foi um bebe em crise

No auge de sua áurea infantil

Chorou hoje e chorou sempre

Chora todas as noites, vive descontente...

Os males daquela noite clamavam

Por mais álcool, por mais drogas

Por menos vícios e menos jogos

E clamavam para a felicidade

De um grupo de amigos num forno

De intensidade, felicidade

Musica do ar, amor jogado

E a vida fez-se bela...



- Tê, Circo

11/04/11

segunda-feira, 11 de abril de 2011

"Se no canto do seu rodapé
minha notinha estiver
toda simples e cheia de intenção
pode estar avisada
sem medo, sem besteira
aquilo vale em toda direção

(...)

Quando venho e penso
sento e já não sou o mesmo
foge, atormenta e se esquece
a palavra.

Pesada e simples: perigosa
vem voando e volta
para onde, nunca se sabe
e quando fica é lucro
forma a prosa, poesia
de que se gosta."

P, 11/04/11

suor, luzes e poesia.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Grande Vale das Dores

Não será de mero efeito

Qualquer droga ou qualquer vicio

Tomado para amenizar os horrores

Desse imenso, gigantesco vale de dores.

Não adiantará rondar pelo mundo

Procurar lugares habitáveis

Onde nada poderá ferir o sentido

Dessa vida, desse imenso vale de dores.

Já está feito, desde que a vida é vida

Já está tido como certa a angustia do ser

Já está esculpia em pedra rara

A falta de amor e de candura

Que gera e faz crescer

Cada dia mais esse imenso,

Gigantesco vale de dores...

quarta-feira, 2 de março de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pensava que viver por todos esses anos naquele lugar, infestado de sombras e fumaças e cheiros era um extremo atraso social de sua parte. Catava aqueles lixos todos, cheios de luxo, jogados pelo pessoal da Tijuca, do Leblon. Pensava que aquilo era resto de vida, matéria decomposta em sentimentos, amores estilhaçados, crianças peladas, nuinhas de afeto.
Pensava sempre nas crianças, que viviam de ir a colégios caros, com roupas cor de vinho e sapatos coloridos. Pensava sempre na vontade que tinha de que algum dia, por ventura, uma delas viesse a olhar o mundo e desejar ajudar aqueles que se assemelhavam a ele. José Paulo nunca teve escolha, viveu e morreu para sempre ser o afago da riqueza do Rio de Janeiro. Viveu e morreu sem ser notado. Viveu e morreu com seus chinelos marcados na areia de Copa.
Limpou a sujeira imunda, fétida e descabida daquela sociedade carioca, que bronzeada, levava alegria as telas de TV. Fazia festa de carnaval quando o povo passava fome, cheirava padê e comia na terra.
José Paulo higienizava a escória da escória, mas viveu e morreu apenas deixando os chinelos marcados na areia de Copacabana.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Delirando

não tenho dinheiro
não tenho bens
e tampouco criatividade
para enriquecer
essa vida sofrida.

o que me resta
é o amor imenso
de dentro daquele rim
de fora daquele ouvido
ao lado daquele corpo.

não tenho vida
sequer tenho forças
sequer tenho alma
mas soul cativante
extremamente errante.

só o que me resta hoje
é um caderninho azul
uma canetinha rosa
e uma florzinha
no canto da folha daquele papelzinho.

CONDICIONAL - LOS HERMANOS

Quis nunca te perder
Tanto que demais
Via em tudo o céu
Fiz de tudo o cais
Dei-te pra ancorar
Doces deletérios

Eu quis ter os pés no chão
Tanto eu abri mão
Que hoje eu entendi
Sonho não se dá
É botão de flor
O sabor de fel
É de cortar.

Eu sei é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
O que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu, muito bem

Quis nunca te ganhar
Tanto que forjei
Asas nos teus pés
Ondas pra levar
Deixo desvendar
Todos os mistérios

Sei, tanto te soltei
Que você me quis
Em todo lugar
Lia em cada olhar
Quanta intenção
Eu vivia preso

Eu sei, é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu
O que eu queria, o que eu fazia, o que mais?
Que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê?
Não sei mais

Os dias que eu me vejo só
São dias que eu me encontro mais
E mesmo assim eu sei tão bem
existe alguém pra me libertar.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Hoje me fizeste acender um cigarro e chorar lágrimas incontáveis. Não foi teu erro... A culpa é minha, pois sou lunática. Não tenho controle sobre a minha vida e nem me controlo perante as pessoas que amo.
No âmago do meu ser existe a intensidade de palavras jamais ditas e olhares jamais trocados. Há um sofrimento profundo, aceitável e insustentavel. Nada é mais brilhante, nada faz sentido e nada é mais lindo do que a minha vontade de vencer, acolher e viver para ser feliz...
Num lugar estranho, nessa sala suja e no meu quarto caótico: em todos os lugares só preciso da tua presença e ajuda. Não escrevo nada além das linhas avulsas que me servem de escape, viagem... Um caminho curvilíneo sem fim, adornado com as insanidades de uma mente incompreendida.
Não haverá saída em drogas, não surgirá saída em poemas, não existirá luz no final daquela musica. Só saltará o meu amor escrito em letras de neon perdidas numa noite taciturna e gelada.
Definitivamente não quero ser pernostica, mas preciso dizer que vivo de precisar você.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eu amaldiçoei Catanduva desde que eu me dei conta do que era São Paulo. Lá pelos meus 11 anos, mais ou menos. Passei a odiar a minha cidade, chamar de sítio, fim de mundo, inferno e etc... Mas daqui a dois dias eu vou embora desse lugar. Eu vou deixar esse vilarejo, com uma igreja em cada esquina e vários velhos e velhas na rua, andando sem medo.
Eu vou sentir falta. Na verdade, já tô sentindo muita falta desse sossego, dessa minha cabeça avoada que agora vai ter que começar a funcionar. Até cartão de crédito eu vou ter. Cidade grande, vida de gente grande...