quinta-feira, 21 de abril de 2011

21/04/11 e muito amor (plantônico)

Me apaixonei pelos teus olhinhos

Que de tão serenos, eram lindos

Miúdos, espremidos

Que me fizeram pensar em mil coisas

Só de olhá-los...

Me apaixonei pelas tuas mãos

Essas que são pequenas,

Que falam sozinhas

Que acompanham a musica da tua voz

Só de senti-las...

Me apaixonei pela tua vida

Por você inteiro,

Pela tua astucia,

Pelo teu rigor,

Tão perfeito...

Todo perfeitinho

Falando baixinho

Relando em meus braços,

Relando em meus pelinhos

Em meus cabelinhos dourados...

Me explicando a vida

Ouvindo minhas lamurias

Me olhando assim

Me falando assim

Me deixando assim...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

SENHAS

Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos

Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas

Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pornô

e eu te pergunto:
que que é?
esse cigarro na mão,
esse dedo amarelo,
esse cheiro de sexo...

e eu te atormento:
que que é?
essa rotina paralela,
esse bilhetinho no chão,
e esse puta cheiro de sexo...

e eu te indago:
qual foi?
vai ser essa de ontem,
a brisa futura,
ou a dor de amanhã?

e eu te censuro:
como faz?
essa brincadeira tola,
esse casinho a três,
essa lorota estrelar...

e eu te pergunto denovo:
que que é?
vai querer,
vai embrulhar,
ou vai comer?

domingo, 17 de abril de 2011

(...)

Situações que me fogem ao controle deixam-me diabolicamente intrigado. Ao contrario disso, considero-me um homem hedonista. Na verdade, sou um homem hedonista quase por completo, pois amo o meu trabalho, mas horas sinto vontade de larga-lo. Não sou do tipo que gosta de acordar cedo e ter horários ao longo do dia. Chega a ser torturante e desfacelante aos meus olhos.

Minha vida poderia ser chamada de “boemia” por muitos e talvez, de fato, seja. A questão é que não sou um boêmio por que quis assim. Os lances da vida me fizeram assim. As circunstancias me enganaram as vezes, e deste modo, decidi seguir sozinho a minha historia.

Olho-me no espelho, e nada mais vejo senão as rugas que agora estão protuberantes na região superior de meu rosto. Meus olhos ainda são cinzas e tristes como a vinte anos atrás. Meu cabelo continua a cair, e adquiri uma barba que me deixou com aspecto de velho. Meu sorriso, outrora constante, hoje está em tom amarelado, como as areias de um deserto sob um sol escaldante. Entre tantos cigarros, não obtive nenhum beneficio. Apenas consegui amarelar-me a boca.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

"Vejo daqui, você de óculos escuros
Vejos por trás, um imenso mundo
Te vejo assim, calado e quieto
Um pouco mudo...

Querendo encontrar toda beleza que me dá

O seu olhar, tão fácil assim
Me deu o que falar
E ao mesmo tempo
Tirou a palavra de mim


E assim que eu te vejo
Vou descobrindo o seu mundo
Tentando um jeito meio tolo
De trazer você pra mim..."

P, 14/04/11

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Aqui essa imensa janela
E por fora dela, ventos
sssssssssssssssssssssss
Que de fortes e tão frios
Provam que o inferno é aqui.

Aqui.


Aqui.



Aqui.

Mas embaixo do cobertor
Tudo é quente
Acalenta e aconchega
O amor que o corpo sente.

Hoje você vai embora
Me deixa como havia de deixar
Mas a minha vida está mal
Desacostumou de não te ouvir dormir,
Beirou a loucura
Expulsou a sanidade
Feriu-se pela tua ausência.

Au

sên

...


-Tê, 13/04/11

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Na escuridão a vida chama a gente

O perigo vira brilho no olho

De qualquer criança mal acostumada

Com as necessidades da vida.

E a noite foi um bebe em crise

No auge de sua áurea infantil

Chorou hoje e chorou sempre

Chora todas as noites, vive descontente...

Os males daquela noite clamavam

Por mais álcool, por mais drogas

Por menos vícios e menos jogos

E clamavam para a felicidade

De um grupo de amigos num forno

De intensidade, felicidade

Musica do ar, amor jogado

E a vida fez-se bela...



- Tê, Circo

11/04/11

segunda-feira, 11 de abril de 2011

"Se no canto do seu rodapé
minha notinha estiver
toda simples e cheia de intenção
pode estar avisada
sem medo, sem besteira
aquilo vale em toda direção

(...)

Quando venho e penso
sento e já não sou o mesmo
foge, atormenta e se esquece
a palavra.

Pesada e simples: perigosa
vem voando e volta
para onde, nunca se sabe
e quando fica é lucro
forma a prosa, poesia
de que se gosta."

P, 11/04/11

suor, luzes e poesia.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Grande Vale das Dores

Não será de mero efeito

Qualquer droga ou qualquer vicio

Tomado para amenizar os horrores

Desse imenso, gigantesco vale de dores.

Não adiantará rondar pelo mundo

Procurar lugares habitáveis

Onde nada poderá ferir o sentido

Dessa vida, desse imenso vale de dores.

Já está feito, desde que a vida é vida

Já está tido como certa a angustia do ser

Já está esculpia em pedra rara

A falta de amor e de candura

Que gera e faz crescer

Cada dia mais esse imenso,

Gigantesco vale de dores...