quarta-feira, 24 de junho de 2009

DESABAFO:

eu não sei se alguém já quis tanto alguma coisa a ponto de quase morrer de medo de não alcança-la. mesmo que sejamos repletos de virtudes, a insegurança acaba tomando nossa mente como garantia de troca para momentos decisivos.
a não obrigatoriedade para diploma de jornalista passou, no primeiro momento, uma impressão de tristeza e revolta. no segundo momento, de desespero. no terceiro, tive gana.
já pensei em exercer inúmeras profissões, porém, hoje, só me vejo "jornalistando". terei as dificuldades dobradas para alcançar a plenitude na minha vida profissional: agora não basta ser formado. tem que ser bom. excelente, na realidade.

terça-feira, 23 de junho de 2009

"felicidade"

tem dias que acontecem assim: a gente acorda as 6:00, toma banho frio, come uma bolacha maisena seca, pisa na merda quando desce do carro, erra 9 de 10 questões da prova, e, para ajudar, lembra que deu uma trepada infeliz na noite passada. tudo bem, "tem dias que de noite é assim".
ainda que o meu ego seja inflado e minha vida seja uma mentira, eu digo e repito: existem dois tipos de pessoas no mundo. Eu, e as outras.
"É difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil."
Friedrich Nietzsche

sábado, 20 de junho de 2009

"- Eu tava ali, e eu disse.
"Não me interessa o que você disse, não me interessa mais..." Ela coçava a cabeça, batia os pés do chão de taco, olhava o lustre, contava até 10. Era insensatez demais para uma só pessoa. Qual era o motivo da farsa, pirraça? "E o que mais? Qual é a boa da noite?"
- Eu nunca cavei uma fossa para você se afundar, Julia. O problema é que você nunca vai encontrar ninguém a sua altura... Seus olhos nunca olham para baixo, e os meus vivem sempre em cima.
Julia não queria ouvir mais as verdade perturbadoras do marido, pegou a bolsa e os óculos e desceu no elevador. De nada mais interessava. O amor dos filhos que ainda não chegaram, o amor do poodle mimado, das amigas peruas. Nada importava naquela tarde fria em Londres."

quinta-feira, 18 de junho de 2009

"A professora, doutora pela Universidade de Grenoble (França), diz que hoje é um dia de luto para os jornalistas e também para a sociedade. "Eu nunca vi engenheiros, médicos, advogados e arquitetos decidirem que não precisam de formação. Eu falo de exercício profissional, não de liberdade de expressão, como está se confundindo", afirma."
(Folha de São Paulo, 18/06/09)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

"mulher é bicho esquisito: todo mês sangra."

e antes de sangrar, a mulher passa por uma prova de fogo, questão de vida ou morte - tendenciando sempre a morte.
de fato eu adoro chocolates, sorvete, pizza, refrigerante. não me envergonho. odeio academia, sol e praia. mas usar um biquíni minúsculo e ver alguns homens olhando de modo que a minha auto estima fique elevadíssima não seria ruim. pena que eu odeio piscina também.
não preciso esconder as gordurinhas localizadas na perna, nos braços, e nem as insistentes espinhas - malditas espinhas.
não posso submeter-me ao sofrimento de acordar 30 minutos mais cedo para escovar o cabelo. morro de sono, sou mole, desligada e preguiçosa. nesses dias antes do "sangramento" então... tenho preguiça até de respirar.
não troco uma madrugada com o silencio do lar, bons filmes, pizza esquentada e um litro de coca-cola por uma noite agitada em meio a amigos. queria ter esse prazer: estaria em pé, suando, e gastando calorias pois não bebo e dificilmente como fora de casa: sou vegetariana.
ao entrar num shopping, fico deslumbrada com as roupas maravilhosas de grifes esplendorosas. mas se me vejo com 100 reais, compro dois livros e não uma calça. livrarias e lojas de discos me encantam. não que eu seja estudiosa; longe de mim! a minha maior nota em matemática é 1, esporadicamente vem um suado 2,5. não me garanto nem mesmo em redação, apesar de amar escrever e ter ótimas ideias. me pego de mãos atadas perante uma folha de papel.
na verdade, penso que não trocaria o meu cérebro pelo de ninguém. as vezes fico com medo - um medo tolo - de que nenhuma pessoa me deseje mais. que loucura... os homens que eu quero são pouquíssimos. não tem um corpo bonito, muito menos roupas da moda...
o que é isso... cada um tem "a sua hora e sua vez". certas pessoas devem ter problemas maiores que os meus, e com um pouco de esforço a minha vida seria perfeita. pena que sou como sou. afinal, o mais desrespeito do mundo é negar a própria identidade.

"Enquanto eles capitalizam a realidade, eu socializo os meus sonhos." - Sérgio Vaz.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"joga pedra na Geni. ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir! ela dá pra qualquer um, maldita Geni!"

uma vez que estejamos furiosos, toda a fúria do mundo é pouca. simplesmente não basta.
estou lendo "uma vida inventada" da maitê proença. ela narra vários conflitos existenciais desde a infância até hoje. e a cada dia mais eu me pego reflentindo sozinha sobre quem sou, para onde vou. acho que não há felicidade por completo. posso continuar tendo mil pares de tênis, viagens 10 vezes por ano, livros, cds, pai, mãe, e comida boa jorrando em minhas vísceras até que elas explodam... sou mal agradecida e descontente. insatisfeita. não vejo nada além do horizonte. meu lema: murmurar ladainhas ao meu espírito carregado. faço questão de ser sozinha, e a cada dia sou mais acompanhada de gente. não faz sentido.
não que eu seja uma sociopata, maníaca depressiva, autista... acho que a solidão é ótima, um presente divino. encontrar-se: eu comigo mesma. lembrar de todos os meu desejos e ambições mais profundos. esquecer que existe gente além de mim no mundo. ando sem vontade até disso. a vida até agora tem sido "levada nas coxas"... e é daí, para pior.

sábado, 13 de junho de 2009

voltar de viagem na maioria das vezes é um ritual difícil, repentino e triste. pelo menos para mim sempre foi. mas não dessa vez.
eu não conseguia mais esperar para voltar pra casa, para minha cidade; apesar de estar constantemente angustiada por lembrar do melancólico fato : a rotina me espera. odeio a rotina, mas no longo caminho de volta, percebi que ela me levará ao controle da situação: é um investimento a longo prazo e eu preciso de paciência.
passar alguns dias vendo faces e divergências de opiniões faz bem a qualquer ser humano, no meu caso, faz com que eu mude de opiniões e reafirme as que já afirmo com mais convicção. uma delas é: eu odeio a rotina. detesto acordar cedo, acho uma puta sacanagem do bicho homem. nos fazemos de mártires desde que o mundo é mundo. está frio, e acordar de manhã, no frio, numa segunda feira em que você fará uma prova de biologia as sete da manhã, é para desejo de morte. não é fácil. não vejo nada pior - pelo menos não agora.

vim com a cabeça nas nuvens (literalmente), e consegui fazer uma comparação/metáfora interessante:
sempre fiquei intrigada com o seguinte acontecimento: eu acho o céu maravilhoso, uma das coisas mais belas e surreais que já pude enxergar. porém, sempre que curvo a cabeça para cima, meus olhos doem. é o sol ferindo a minha vista.
o avião subiu por cima das nuvens e então notei: dessa vez, o sol não me machucara. eu estava em cima dele. olhei o céu como nunca havia olhado antes. era mais esplendoroso do que eu podia em vida imaginar. me senti, de real vontade, "o rei do mundo".
moral: para ter conforto, é preciso estar por cima. infelizmente.

terça-feira, 2 de junho de 2009

lembrei de lisbela e o prisioneiro, e lembrei dessa musica. acho ela... INTENSA!

Sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim/Um grande amor não se acaba assim/Feito espumas ao vento/Não é coisa de momento/Raiva passageira/Mania que dá e passa feito brincadeira/O amor deixa marcas que não dá pra apagar/Sei que errei e estou aqui pra te pedir perdão/Cabeça doida, coração na mão/Desejo pegando fogo/Sem saber direito aonde ir e o que fazer/Eu não encontro uma palavra só pra te dizer/Mas se eu fosse você, amor, eu voltava pra mim de novo/E de uma coisa fique certa, amor/A porta vai estar sempre aberta, amor/O meu olhar vai dá uma festa, amor/Na hora que você voltar.
- Aciioly Neto

sábado, 30 de maio de 2009

"Não vejo mais você faz tanto tempo. Que vontade que eu sinto de olhar em seus olhos, ganhar seus abraços, é verdade, eu não minto. E nesse desespero em que me vejo, já cheguei a tal ponto de me trocar diversas vezes por você, só pra ver se te encontro."

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


- Ismalia, de Alphonsus de Guimarães.

"Eles saíram do barulho, fecharam o carro e seguiram. Estacionou, apagou os faróis. Subiram. Ela sentou-se, ajeitou o vestido, e olhou nos olhos. Ele com a garrafa na mão sorriu. Ela disse:
- Vou ao banheiro.
Foi. Voltou. Pegou a taça.
Sentaram-se no sofá branco. Ele contou causos que aquela menina-mulher luzia ao ouvir. Ela sorria muito, dizia fatos incríveis de maneira poética. Entre taças e goles de vinhos chilenos, eles sorriam. A louca vontade de qualquer contato tonava-se mais e mais intensa.
- Olhe - ele disse, - você bem sabe que eu gosto de mulheres como você.
- Como eu? Não entendo...
- Você gosta de ser elogiada. E tem razão. Sábia, linda e loura.
Eles sorriram.
Ela arrepiou-se. Volupida.
As mãos claras dele passavam pelos botões dela. As mãos dela entravam nas dele. Abriu os botões. Mais uma garrafa. Tempo. Desfez-se das roupas. As mãos encontraram-se nos seios fartos. A chuva caia.
Outra garrafa."

quarta-feira, 27 de maio de 2009

de um eterno apaixonado, para o uso de uma eterna apaixonada:

"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham a você
Assim como o oceano, só é belo com o luar
Assim como a canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta só, é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, eu não existo sem você"

- Vinicius de Moraes.
tava afim de "descer a lenha" em alguém ou alguma coisa hoje. acho que um alvo bom para a minha critica maldosa seria eu mesma. tudo bem, eu posso até me poupar do meu próprio veneno, mas eu adoro criticar e falar mal. sou ótima, engraçada, e boa demais. mas não sou transparente. aliás, não sou GENUINAMENTE transparente. as pessoas pensam que sou (pobres superficiais). a minha ironia faz com que eu possa vomitar tudo o que eu penso sobre todos. mas se não fosse essa minha "válvula de escape", jamais faria isso, e, consequentemente, arruinaria o meu intimo pensando várias merdas sobre o mundo. admito, não valho nem a metade do que pensam. não correspondo a expectativas, e sou imprevisível. nunca pense que pode contar com um "sim" vindo da minha boca, nem eu mesma sei quando isso pode acontecer.
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, de Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud. E o Eduardo gostava de novela, e jogava futebol-de-botão com seu avô... Ela falava coisas sobre o Planalto Central, também magia e meditação. E o Eduardo ainda tava no esquema "escola, cinema,clube, televisão..."