voltar de viagem na maioria das vezes é um ritual difícil, repentino e triste. pelo menos para mim sempre foi. mas não dessa vez.
eu não conseguia mais esperar para voltar pra casa, para minha cidade; apesar de estar constantemente angustiada por lembrar do melancólico fato : a rotina me espera. odeio a rotina, mas no longo caminho de volta, percebi que ela me levará ao controle da situação: é um investimento a longo prazo e eu preciso de paciência.
passar alguns dias vendo faces e divergências de opiniões faz bem a qualquer ser humano, no meu caso, faz com que eu mude de opiniões e reafirme as que já afirmo com mais convicção. uma delas é: eu odeio a rotina. detesto acordar cedo, acho uma puta sacanagem do bicho homem. nos fazemos de mártires desde que o mundo é mundo. está frio, e acordar de manhã, no frio, numa segunda feira em que você fará uma prova de biologia as sete da manhã, é para desejo de morte. não é fácil. não vejo nada pior - pelo menos não agora.
vim com a cabeça nas nuvens (literalmente), e consegui fazer uma comparação/metáfora interessante:
sempre fiquei intrigada com o seguinte acontecimento: eu acho o céu maravilhoso, uma das coisas mais belas e surreais que já pude enxergar. porém, sempre que curvo a cabeça para cima, meus olhos doem. é o sol ferindo a minha vista.
o avião subiu por cima das nuvens e então notei: dessa vez, o sol não me machucara. eu estava em cima dele. olhei o céu como nunca havia olhado antes. era mais esplendoroso do que eu podia em vida imaginar. me senti, de real vontade, "o rei do mundo".
moral: para ter conforto, é preciso estar por cima. infelizmente.
sábado, 13 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
lembrei de lisbela e o prisioneiro, e lembrei dessa musica. acho ela... INTENSA!
Sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim/Um grande amor não se acaba assim/Feito espumas ao vento/Não é coisa de momento/Raiva passageira/Mania que dá e passa feito brincadeira/O amor deixa marcas que não dá pra apagar/Sei que errei e estou aqui pra te pedir perdão/Cabeça doida, coração na mão/Desejo pegando fogo/Sem saber direito aonde ir e o que fazer/Eu não encontro uma palavra só pra te dizer/Mas se eu fosse você, amor, eu voltava pra mim de novo/E de uma coisa fique certa, amor/A porta vai estar sempre aberta, amor/O meu olhar vai dá uma festa, amor/Na hora que você voltar.
- Aciioly Neto
Sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim/Um grande amor não se acaba assim/Feito espumas ao vento/Não é coisa de momento/Raiva passageira/Mania que dá e passa feito brincadeira/O amor deixa marcas que não dá pra apagar/Sei que errei e estou aqui pra te pedir perdão/Cabeça doida, coração na mão/Desejo pegando fogo/Sem saber direito aonde ir e o que fazer/Eu não encontro uma palavra só pra te dizer/Mas se eu fosse você, amor, eu voltava pra mim de novo/E de uma coisa fique certa, amor/A porta vai estar sempre aberta, amor/O meu olhar vai dá uma festa, amor/Na hora que você voltar.
- Aciioly Neto
sábado, 30 de maio de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
- Ismalia, de Alphonsus de Guimarães.
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
- Ismalia, de Alphonsus de Guimarães.

"Eles saíram do barulho, fecharam o carro e seguiram. Estacionou, apagou os faróis. Subiram. Ela sentou-se, ajeitou o vestido, e olhou nos olhos. Ele com a garrafa na mão sorriu. Ela disse:
- Vou ao banheiro.
Foi. Voltou. Pegou a taça.
Sentaram-se no sofá branco. Ele contou causos que aquela menina-mulher luzia ao ouvir. Ela sorria muito, dizia fatos incríveis de maneira poética. Entre taças e goles de vinhos chilenos, eles sorriam. A louca vontade de qualquer contato tonava-se mais e mais intensa.
- Olhe - ele disse, - você bem sabe que eu gosto de mulheres como você.
- Como eu? Não entendo...
- Você gosta de ser elogiada. E tem razão. Sábia, linda e loura.
Eles sorriram.
Ela arrepiou-se. Volupida.
As mãos claras dele passavam pelos botões dela. As mãos dela entravam nas dele. Abriu os botões. Mais uma garrafa. Tempo. Desfez-se das roupas. As mãos encontraram-se nos seios fartos. A chuva caia.
Outra garrafa."
- Vou ao banheiro.
Foi. Voltou. Pegou a taça.
Sentaram-se no sofá branco. Ele contou causos que aquela menina-mulher luzia ao ouvir. Ela sorria muito, dizia fatos incríveis de maneira poética. Entre taças e goles de vinhos chilenos, eles sorriam. A louca vontade de qualquer contato tonava-se mais e mais intensa.
- Olhe - ele disse, - você bem sabe que eu gosto de mulheres como você.
- Como eu? Não entendo...
- Você gosta de ser elogiada. E tem razão. Sábia, linda e loura.
Eles sorriram.
Ela arrepiou-se. Volupida.
As mãos claras dele passavam pelos botões dela. As mãos dela entravam nas dele. Abriu os botões. Mais uma garrafa. Tempo. Desfez-se das roupas. As mãos encontraram-se nos seios fartos. A chuva caia.
Outra garrafa."
quarta-feira, 27 de maio de 2009
de um eterno apaixonado, para o uso de uma eterna apaixonada:
"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham a você
Assim como o oceano, só é belo com o luar
Assim como a canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta só, é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, eu não existo sem você"
- Vinicius de Moraes.
"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham a você
Assim como o oceano, só é belo com o luar
Assim como a canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta só, é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, eu não existo sem você"
- Vinicius de Moraes.
tava afim de "descer a lenha" em alguém ou alguma coisa hoje. acho que um alvo bom para a minha critica maldosa seria eu mesma. tudo bem, eu posso até me poupar do meu próprio veneno, mas eu adoro criticar e falar mal. sou ótima, engraçada, e boa demais. mas não sou transparente. aliás, não sou GENUINAMENTE transparente. as pessoas pensam que sou (pobres superficiais). a minha ironia faz com que eu possa vomitar tudo o que eu penso sobre todos. mas se não fosse essa minha "válvula de escape", jamais faria isso, e, consequentemente, arruinaria o meu intimo pensando várias merdas sobre o mundo. admito, não valho nem a metade do que pensam. não correspondo a expectativas, e sou imprevisível. nunca pense que pode contar com um "sim" vindo da minha boca, nem eu mesma sei quando isso pode acontecer.
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, de Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud. E o Eduardo gostava de novela, e jogava futebol-de-botão com seu avô... Ela falava coisas sobre o Planalto Central, também magia e meditação. E o Eduardo ainda tava no esquema "escola, cinema,clube, televisão..."
terça-feira, 26 de maio de 2009
"Sabe de uma coisa Seu... Vou lhe jogar no meu baú, vivo e mágico com as coisas boas que tem lá. Os meus desenhos herméticos, as palavras de Da Lai Lama. Quem sabe você adora, quem sabe se transformará. Meu bauzinho de memória... Os meus livrinhos de receita... Quem sabe se sensibiliza, quem sabe se transformará."
- Baú, de Vanessa da Mata.
- Baú, de Vanessa da Mata.
tema: a busca da felicidade humana.
de que interessa, isso não importa a mim ou a você. como se fizesse diferença em algum momento. ou em algum momento fará (?)
"esse pequeno e seleto grupo de pessoas age de maneira sensata e autonoma perante todos os seus atos - ou quase todos. Ao contrario da sociedade hipócrita, que vê a felicidade em objetos visualmente deslumbrantes, aprenderam a não aceitar qualquer verdade como absoluta, nem mesmo o conceito de felicidade.
Somos postos a prova todos os dias e todas as horas, um fato que mostra a impossibilidade de adquirir-mos a felicidade genuína propriamente dita. Somos reprovados pelas pessoas que nos cercam: quem mais amamos, geralmente, são as pessoas que mais nos magoam, privando-nos de obter o dom mais sublime da natureza humana: a felicidade."
de que interessa, isso não importa a mim ou a você. como se fizesse diferença em algum momento. ou em algum momento fará (?)
"esse pequeno e seleto grupo de pessoas age de maneira sensata e autonoma perante todos os seus atos - ou quase todos. Ao contrario da sociedade hipócrita, que vê a felicidade em objetos visualmente deslumbrantes, aprenderam a não aceitar qualquer verdade como absoluta, nem mesmo o conceito de felicidade.
Somos postos a prova todos os dias e todas as horas, um fato que mostra a impossibilidade de adquirir-mos a felicidade genuína propriamente dita. Somos reprovados pelas pessoas que nos cercam: quem mais amamos, geralmente, são as pessoas que mais nos magoam, privando-nos de obter o dom mais sublime da natureza humana: a felicidade."
domingo, 17 de maio de 2009
tem dias que a gente é assim.
ouvimos que tudo vai passar e vai melhorar, afinal, os passos difíceis da vida acontecem com todos. isso não me conforta, me desculpe. prefiro ouvir que só acontece comigo, pois um problema é mais fácil de se resolver do que um milhão.
(adoro palavrões, vai tomar do cu, bem no meio do seu cu.)
ouvimos que tudo vai passar e vai melhorar, afinal, os passos difíceis da vida acontecem com todos. isso não me conforta, me desculpe. prefiro ouvir que só acontece comigo, pois um problema é mais fácil de se resolver do que um milhão.
(adoro palavrões, vai tomar do cu, bem no meio do seu cu.)
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Amou daquela vez como se fosse a última/Beijou sua mulher como se fosse a última/E cada filho seu como se fosse o único/E atravessou a rua com seu passo tímido/Subiu a construção como se fosse máquina/Ergueu no patamar quatro paredes sólidas/Tijolo com tijolo num desenho mágico/Seus olhos embotados de cimento e lágrima/Sentou pra descansar como se fosse sábado/Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe/Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago/Dançou e gargalhou como se ouvisse música/E tropeçou no céu como se fosse um bêbado/E flutuou no ar como se fosse um pássaro/E se acabou no chão feito um pacote flácido/Agonizou no meio do passeio público/Morreu na contramão atrapalhando o tráfego/Amou daquela vez como se fosse o último/Beijou sua mulher como se fosse a única/E cada filho como se fosse o pródigo/E atravessou a rua com seu passo bêbado/Subiu a construção como se fosse sólido/Ergueu no patamar quatro paredes mágicas/Tijolo com tijolo num desenho lógico/Seus olhos embotados de cimento e tráfego/Sentou pra descansar como se fosse um príncipe/Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo/Bebeu e soluçou como se fosse máquina/Dançou e gargalhou como se fosse o próximo/E tropeçou no céu como se ouvisse música/E flutuou no ar como se fosse sábado/E se acabou no chão feito um pacote tímido/Agonizou no meio do passeio náufrago/Morreu na contramão atrapalhando o público/Amou daquela vez como se fosse máquina/Beijou sua mulher como se fosse lógico/Ergueu no patamar quatro paredes flácidas/Sentou pra descansar como se fosse um pássaro/E flutuou no ar como se fosse um príncipe/E se acabou no chão feito um pacote bêbado/Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado/Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir/A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir/Por me deixar respirar, por me deixar existir/Deus lhe paguePela cachaça de graça que a gente tem que engolir/Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir/Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair/Deus lhe pague/Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir/E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir/E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir/Deus lhe pague.
Construção, de Chico Buarque
Construção, de Chico Buarque
Assinar:
Postagens (Atom)
