quarta-feira, 27 de abril de 2011
Alberta
de nada...
de dinheiro, eu não precisei.
de carro, eu não precisei.
tomei por conta uma jaqueta,
um isqueiro,
um cartão,
e a minha emoção.
não precisei de você
para sorrir nessa noite
nem precisei ouvir
o que deveria...
não precisei de juízo
não quis abrir os olhos
para a tua vidinha
só recebi a noitinha fria
de braços e olhos
arregalados.
precisei de uma mão
para segurar dois copos.
precisei da mão alheia
para me abrir a porta.
precisei de bons ouvidos
para sentir o som
negro, funk, jazz
rondando meu cérebro
efeito mais profundo
do que qualquer droga
que você exige
para a sua vidinha.
nem de poesia eu fiz questão
pois a que me interessava
estava no ar
solta, cheirando a bueiro
na noite de São Paulo...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
madre y padre
volta para o teu lugar
vem segurar teu mundo
com as mãozinhas frágeis,
filha
vem conhecer aqui, filha
onde é tua vida de verdade
esquece o hoje,
lembra-te de ontem,
filha
volta para a tua casa, filha
vem, que a comida está na mesa
quente, feita por quem te ama
fica envolta de mim,
filha
vem viver aqui, filha
olhar aqui, mais perto
saber o que sabemos
larga da loucura,
filha
volta para a tua casa, filha
vem morar com quem te ama
vem sentir o amor de quem te acolhe
vem olhar aqui, mais perto
filha...
domingo, 24 de abril de 2011
porquinho
amar de uma vez
só, um homem
só
eu não sei amar
de uma vez
só,
um homem só
eu não
sei amar
de uma vez só,
um homem só
eu preciso amar
três homens de uma vez
para crer
que amo três
eu preciso
amar três
homens de uma vez
para crer que amo três
eu preciso amar três homens
para saber de uma vez
que eu não amo um
que eu amo dois
mais do que três
e que eu amo três
mais do que um
e para saber além
que eu amo sem saber amar
que eu crio expectativas
que eu desmonto a mente
e que eu não amo três
que eu acho que amo um
mas que eu preciso
amar três homens
pois eu não sei
nunca saberei
amar somente um homem
só
flor de sal
mãe
filho
filha
vercillo no som
schopenhauer na mente
minha dor de dente
e um corte no cuore
as taças com vinho
de água meio cheias
de vida meio vazias
de alegria...
um espirro de velho
uma véia bebada
uma piveta pelada
um garçom tarado
uma porta bateu
um cadeirante cedeu
a luz encolheu
e o peido fedeu
mais que coisa linda
era aquela menina
xadrezinha
bonitinha
princesinha
inha inha
princesinha
do papai
da mamãe
do titio
bonitinha
inha inha
e a burguesia continua podre.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
dramalhão danado.
Preciso contar que a tua importância roubou descaradamente um espaço irrecuperável nos meus dias. Preciso contar gritando, para que você ouça pelo menos por um segundo.
Preciso contar que os livros não fazem mais sentido: a única coisa capaz de acalmar minha mente é tua voz ao meu lado. Enquanto o teu calor puder envolver o meu redor, estarei tranquilo, sem nenhuma inquietação.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
21/04/11 e muito amor (plantônico)
Me apaixonei pelos teus olhinhos
Que de tão serenos, eram lindos
Miúdos, espremidos
Que me fizeram pensar em mil coisas
Só de olhá-los...
Me apaixonei pelas tuas mãos
Essas que são pequenas,
Que falam sozinhas
Que acompanham a musica da tua voz
Só de senti-las...
Me apaixonei pela tua vida
Por você inteiro,
Pela tua astucia,
Pelo teu rigor,
Tão perfeito...
Todo perfeitinho
Falando baixinho
Relando em meus braços,
Relando em meus pelinhos
Em meus cabelinhos dourados...
Me explicando a vida
Ouvindo minhas lamurias
Me olhando assim
Me falando assim
Me deixando assim...
quarta-feira, 20 de abril de 2011
SENHAS
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem...
terça-feira, 19 de abril de 2011
Pornô
que que é?
esse cigarro na mão,
esse dedo amarelo,
esse cheiro de sexo...
e eu te atormento:
que que é?
essa rotina paralela,
esse bilhetinho no chão,
e esse puta cheiro de sexo...
e eu te indago:
qual foi?
vai ser essa de ontem,
a brisa futura,
ou a dor de amanhã?
e eu te censuro:
como faz?
essa brincadeira tola,
esse casinho a três,
essa lorota estrelar...
e eu te pergunto denovo:
que que é?
vai querer,
vai embrulhar,
ou vai comer?
domingo, 17 de abril de 2011
(...)
Situações que me fogem ao controle deixam-me diabolicamente intrigado. Ao contrario disso, considero-me um homem hedonista. Na verdade, sou um homem hedonista quase por completo, pois amo o meu trabalho, mas horas sinto vontade de larga-lo. Não sou do tipo que gosta de acordar cedo e ter horários ao longo do dia. Chega a ser torturante e desfacelante aos meus olhos.
Minha vida poderia ser chamada de “boemia” por muitos e talvez, de fato, seja. A questão é que não sou um boêmio por que quis assim. Os lances da vida me fizeram assim. As circunstancias me enganaram as vezes, e deste modo, decidi seguir sozinho a minha historia.
Olho-me no espelho, e nada mais vejo senão as rugas que agora estão protuberantes na região superior de meu rosto. Meus olhos ainda são cinzas e tristes como a vinte anos atrás. Meu cabelo continua a cair, e adquiri uma barba que me deixou com aspecto de velho. Meu sorriso, outrora constante, hoje está em tom amarelado, como as areias de um deserto sob um sol escaldante. Entre tantos cigarros, não obtive nenhum beneficio. Apenas consegui amarelar-me a boca.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
"Vejo daqui, você de óculos escuros
Vejos por trás, um imenso mundo
Te vejo assim, calado e quieto
Um pouco mudo...
Querendo encontrar toda beleza que me dá
O seu olhar, tão fácil assim
Me deu o que falar
E ao mesmo tempo
Tirou a palavra de mim
E assim que eu te vejo
Vou descobrindo o seu mundo
Tentando um jeito meio tolo
De trazer você pra mim..."
P, 14/04/11
quinta-feira, 14 de abril de 2011
E por fora dela, ventos
sssssssssssssssssssssss
Que de fortes e tão frios
Provam que o inferno é aqui.
Aqui.
Aqui.
Aqui.
Mas embaixo do cobertor
Tudo é quente
Acalenta e aconchega
O amor que o corpo sente.
Hoje você vai embora
Me deixa como havia de deixar
Mas a minha vida está mal
Desacostumou de não te ouvir dormir,
Beirou a loucura
Expulsou a sanidade
Feriu-se pela tua ausência.
Au
sên
...
-Tê, 13/04/11
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Na escuridão a vida chama a gente
O perigo vira brilho no olho
De qualquer criança mal acostumada
Com as necessidades da vida.
E a noite foi um bebe em crise
No auge de sua áurea infantil
Chorou hoje e chorou sempre
Chora todas as noites, vive descontente...
Os males daquela noite clamavam
Por mais álcool, por mais drogas
Por menos vícios e menos jogos
E clamavam para a felicidade
De um grupo de amigos num forno
De intensidade, felicidade
Musica do ar, amor jogado
E a vida fez-se bela...
- Tê, Circo
11/04/11
segunda-feira, 11 de abril de 2011
minha notinha estiver
toda simples e cheia de intenção
pode estar avisada
sem medo, sem besteira
aquilo vale em toda direção
(...)
Quando venho e penso
sento e já não sou o mesmo
foge, atormenta e se esquece
a palavra.
Pesada e simples: perigosa
vem voando e volta
para onde, nunca se sabe
e quando fica é lucro
forma a prosa, poesia
de que se gosta."
P, 11/04/11
suor, luzes e poesia.
segunda-feira, 7 de março de 2011
O Grande Vale das Dores
Não será de mero efeito
Qualquer droga ou qualquer vicio
Tomado para amenizar os horrores
Desse imenso, gigantesco vale de dores.
Não adiantará rondar pelo mundo
Procurar lugares habitáveis
Onde nada poderá ferir o sentido
Dessa vida, desse imenso vale de dores.
Já está feito, desde que a vida é vida
Já está tido como certa a angustia do ser
Já está esculpia em pedra rara
A falta de amor e de candura
Que gera e faz crescer
Cada dia mais esse imenso,
Gigantesco vale de dores...