domingo, 8 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
IPT
Há uma igreja pequena
Onde se diz:
"Deus é amor!"
Meu Deus é amor
Só o meu Deus salva
Quando está embriagado
De vinho e cachaça podre.
Aqui, nesta sala
Que ferve feito o inferno
Meu Deus não entra
Pois ele gosta de frio
Maconha
Soda
Rock
E sexo seguro.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Querida Vizinha
(de uma brisa parcialmente bem aproveitada)
Não sei mais o que me lembra essa tua cara de louca. Você, por boa esposa, mãe de família e trabalhadora que suponho ser, não dispõe da sensatez irrevogável de uma boa convivência social.
Não venho por meio desta julgar-te ou tentar escavar o âmago dessa tua personalidade doentia. Acredito ainda, que foste uma criança sedentária e triste, vazia de afeto. Nenhuma criança feliz e amada é capaz de colecionar atos ridiculamente estúpidos na vida adulta.
Aqui, no apartamento de cima, vivemos regadas a felicidade de termos em mente que a existência é algo mais belo e profundo do que a amargura de uma vida seca e pobre como a tua.
Infelizmente, por excelência, por legitimação, é assim.
Atenciosamente,
Gossip Ganjah
terça-feira, 3 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
pense duas vezes antes de esquecer
Pense duas vezes antes de esquecer
Pense duas vezes antes de esquecer
Pense duas vezes antes de esquecer
O que aconteceu entre eu e você
Já te dei a senha do meu segredo
Já te dei a chave do meu coração
Minha digital impressa no seu dedo
Todos os seus beijos para o meu batom
Nossos pés pisaram as mesmas pegadas
Seus cabelos encaracolaram os meus
Tantos fins de tarde, tantas madrugadas
Não me deixe nunca pelo amor de Deus
Já senti saudade, já senti ciúme
Já te dei motivo pra perder a razão
Desse mal a gente nunca fica imune
Nunca demos chance pra desilusão
Nossos olhos viram as mesmas miragens
Os acasos se amarraram pra nós dois
Todas as risadas, todas as bobagens
Eu não tenho medo do que vem depois
Pense duas vezes antes de esquecer
Pense duas vezes antes de esquecer
Pense duas vezes antes de esquecer
O que aconteceu entre eu e você
- Marcelo Jeneci/Ortinho Arnaldo/Antunes
nóis casa em Catanduva
vamo casá.
me lê esse livrinho aí,
que hoje a gente vai casá.
devórvi esse revórvi pra caixa,
abaixa essa mão suja,
deita no meu colinho,
que se num fô hoje,
nóis num casa mais.
vem aqui nesse banquinho,
eu te dou uma beira,
meu neguinho.
senta aqui nesse cantinho,
vem me dá o teu cherinho,
que hoje nóis vai casá.
olha esse filminho
que coisa mais gostosa
na frente dessa janela
suada de chuva...
essa é a hora e o lugar
que a gente tem
pra casá.
óia esse zóinho preto
dessa menininha que te ama...
óia esse chameguinho
escorrengo da mão dela...
vem pra perto, lindo
que hoje nóis casa.
vem aqui nas minha vista,
bota a butina pro lado,
dobra bem dobrado a revista,
acende um cigarrinho,
que tá tudo pronto pra festa:
hoje nóis vai casá.
sábado, 30 de abril de 2011
Ay, ay, ay!
dor na cabeça
dor na dignidade
para resolver?
ajeitar a vida
encontrar a felicidade:
vem aqui em casa
vamos tomar um chocolate
quente
e assistir a centopéia humana
toda maluca
centopeiando na gente
fazendo a loucura condensar
no ar do meu lar
uai, rimou!
vem aqui em casa
vamos botar um incenso
pra cheirar a atmosfera
e ouvir um Jorge
cheio de alegrias
e flores
e chuvas
e Charles
e verão
nesse pais tropical
chamado São Paulo
onde mesmo num dia de sol,
o cinza imundo
invade as frestas
das janelas
desse apartamento velho
e reflete
na foto
dos Beatles.
Chica da...
Chica da...
Chica da Silva!
(e seu lago artificial)
sexta-feira, 29 de abril de 2011
COMUMENTE É ASSIM
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar.
Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.
- Vladimir Maiakóvski
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Silvia
Lembrava-se dos pés dela junto aos dele naquela noite, gelando as unhas do homem, furtando qualquer privacidade existente naquele recinto anteriormente. As cobertas não pertenciam mais a uma só pessoa; a vista da janela, agora era propriedade dela.
Passou a sair nua do quarto para a cozinha, passou a deixar a porta aberta durante o banho, passou a comer com mil talheres - como num banquete sofisticado, coisa francesa ou algo do tipo - as entranhas do velho desprotegido. Ela fez da vida daquele ser algo infernal, repleto de pó, areia no olho, calor, suor e pesadelos. Era o diabo em forma de menina: de pele lisa, de cheiro de mulher gostosa.
Na cabeça moribunda, perpetuava o som de uma furadeira ensurdecedora. Perpetuava o barulho caótico e inconstante da cidade. Perpetuava acima de tudo a dor.
Ele sentava-se em seu local de trabalho, exercia os ofícios com singular destreza, usando a ponta dos dedos para tocar a superfície daquela maquina, deslizando pelos relevos nada íngremes de um teclado, elevando os olhos ao brilho ofuscante de uma tela de computador. Partiu da ideia de que não era mais capaz de levar a vida longe daquela garota, a morena de cabelos alongados e inescrupulosos. Pensava naquele bicho, naquele verdadeiro demonio, vestida para ele. Pensava que Silvia jamais seria sua propriedade e enlouquecia.
Aos poucos aquele velho de bigode enlouquecia.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Alberta
de nada...
de dinheiro, eu não precisei.
de carro, eu não precisei.
tomei por conta uma jaqueta,
um isqueiro,
um cartão,
e a minha emoção.
não precisei de você
para sorrir nessa noite
nem precisei ouvir
o que deveria...
não precisei de juízo
não quis abrir os olhos
para a tua vidinha
só recebi a noitinha fria
de braços e olhos
arregalados.
precisei de uma mão
para segurar dois copos.
precisei da mão alheia
para me abrir a porta.
precisei de bons ouvidos
para sentir o som
negro, funk, jazz
rondando meu cérebro
efeito mais profundo
do que qualquer droga
que você exige
para a sua vidinha.
nem de poesia eu fiz questão
pois a que me interessava
estava no ar
solta, cheirando a bueiro
na noite de São Paulo...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
madre y padre
volta para o teu lugar
vem segurar teu mundo
com as mãozinhas frágeis,
filha
vem conhecer aqui, filha
onde é tua vida de verdade
esquece o hoje,
lembra-te de ontem,
filha
volta para a tua casa, filha
vem, que a comida está na mesa
quente, feita por quem te ama
fica envolta de mim,
filha
vem viver aqui, filha
olhar aqui, mais perto
saber o que sabemos
larga da loucura,
filha
volta para a tua casa, filha
vem morar com quem te ama
vem sentir o amor de quem te acolhe
vem olhar aqui, mais perto
filha...
domingo, 24 de abril de 2011
porquinho
amar de uma vez
só, um homem
só
eu não sei amar
de uma vez
só,
um homem só
eu não
sei amar
de uma vez só,
um homem só
eu preciso amar
três homens de uma vez
para crer
que amo três
eu preciso
amar três
homens de uma vez
para crer que amo três
eu preciso amar três homens
para saber de uma vez
que eu não amo um
que eu amo dois
mais do que três
e que eu amo três
mais do que um
e para saber além
que eu amo sem saber amar
que eu crio expectativas
que eu desmonto a mente
e que eu não amo três
que eu acho que amo um
mas que eu preciso
amar três homens
pois eu não sei
nunca saberei
amar somente um homem
só
flor de sal
mãe
filho
filha
vercillo no som
schopenhauer na mente
minha dor de dente
e um corte no cuore
as taças com vinho
de água meio cheias
de vida meio vazias
de alegria...
um espirro de velho
uma véia bebada
uma piveta pelada
um garçom tarado
uma porta bateu
um cadeirante cedeu
a luz encolheu
e o peido fedeu
mais que coisa linda
era aquela menina
xadrezinha
bonitinha
princesinha
inha inha
princesinha
do papai
da mamãe
do titio
bonitinha
inha inha
e a burguesia continua podre.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
dramalhão danado.
Preciso contar que a tua importância roubou descaradamente um espaço irrecuperável nos meus dias. Preciso contar gritando, para que você ouça pelo menos por um segundo.
Preciso contar que os livros não fazem mais sentido: a única coisa capaz de acalmar minha mente é tua voz ao meu lado. Enquanto o teu calor puder envolver o meu redor, estarei tranquilo, sem nenhuma inquietação.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
21/04/11 e muito amor (plantônico)
Me apaixonei pelos teus olhinhos
Que de tão serenos, eram lindos
Miúdos, espremidos
Que me fizeram pensar em mil coisas
Só de olhá-los...
Me apaixonei pelas tuas mãos
Essas que são pequenas,
Que falam sozinhas
Que acompanham a musica da tua voz
Só de senti-las...
Me apaixonei pela tua vida
Por você inteiro,
Pela tua astucia,
Pelo teu rigor,
Tão perfeito...
Todo perfeitinho
Falando baixinho
Relando em meus braços,
Relando em meus pelinhos
Em meus cabelinhos dourados...
Me explicando a vida
Ouvindo minhas lamurias
Me olhando assim
Me falando assim
Me deixando assim...
quarta-feira, 20 de abril de 2011
SENHAS
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem...