sábado, 9 de julho de 2011
Redoma
sexta-feira, 8 de julho de 2011
As amarras
quinta-feira, 7 de julho de 2011
...
terça-feira, 5 de julho de 2011
floresce a vida
ficou espessa, sorveu a minha energia
me elevou ao encontro com deus
que usava óculos escuros
e cantava musicas guiadas pelas cordas
da guitarra de Jimi Hendrix.
me deixou na porta da alucinação
me deu uma caneta e um papel
entregou com a colher na minha boca
as sentenças para a criação mais sentimental
brilhante e nada obscura da minha existência.
me fez mamar nas tetas do êxtase
quando minha pressão foi abaixo,
quando Jah me soprou no ouvido
os caminhos que me levariam
ao ouro dos tolos,
ao elixir dos malucos...
essa fumaça capturou o peso dos meus pulmões
deixou eles limpinhos
me flagrou atônita, feliz e delirante
delirando...
delirante...
longe da paranóia que me guia
quando estou de cara
em casa,
na rua,
no ônibus,
na escada...
o farol não era mais vermelho:
ela es-car-la-te.
a palavra me levou a viajar.
o dom da palavra sempre me leva a viagens
hora insanas, hora apenas intensas.
divaguei, divaguei
e nada transformei
para isso apanhei outra purpurina verde
amassei, rasguei toda
e mandei via sedex telepático para dentro.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
doutor T.
uns morros
delineados
no relevo
de uma pele alva.
a pele
mais bonita
que já vi
e toquei.
uma pele alva,
far far away.
domingo, 3 de julho de 2011
"o único motivo razoável para o seu sumiço seria você estar morto."
é tudo o que eu não tenho
quando tento te violentar,
quando jogo as coisas pelo ar
do armário para a tua cara larga.
desprezo é o que você tem tentado me doar
sem qualquer sucesso,
sem nenhuma sensatez.
sorvi dez litros de vinho
e vim aqui te dizer
o quanto eu não quero estar
trancada no seu buraco.
vim aqui dizer também
que quero que você suma
e em suma, quero sumir.
que é para não te ver
que é para espantar a Babylon de mim
que é pra tirar isso da cabeça
e "por o resto no lugar."
náusea: é o que você me causa
com essa personalidade mutante
metamorfoseando a minha cabeça
fazendo o meu pescoço cair
cada vez que alguma lamuria
escapa da tua boca
e pinga junto com saliva
na minha testa.
vim aqui dizer também,
que te quero.
porém, com muito pesar...
com muita tristeza
e com extrema alegria
de ter te descoberto ontem
para poder viver
rindo e catando
na minha cidade natal.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
é nóix
na frente dos bares aqui da PUC.
enquanto eu bebia a minha tônica
e fazia meu trabalhinho de politica.
toda fofa.
de meia e chinelo no pé.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
rabisqueira
de tanto falar besteira
fica tonta, morrendo aí pelos cantos
pensando em voltar no tempo
perdendo o tempo
que não deveria jogar assim.
agora você fica aí
de rabixo com aqueles outros
saindo de saia
chinelinho
e carente de decência.
fica bem aí, porca
chora mais um pouco
que se Deus quiser
eu beijo os teus pés
dentro de uns dez anos.
domingo, 26 de junho de 2011
para Bibi
E morre
Bela
Na pedra,
No mato,
Rasteiro...
E de tanta
Luz
Deleita
A minha
mente.
Que limpida
Faz-se
De espelho
E fica bela
Como a flor
Que nasce
E morre
Bela.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
vinte e quatro do seis
eu vou
continuar assim
com o dedo amarelo
e
com o sorriso
amarelo.
eu vou continuar
aqui
cercando comprimidos:
dormir
é o que cura
a ausência.
estarei
do mesmo lado
quando você
voltar.
estarei com as mesmas
vestes,
as mesmas
maneiras,
as mesmas
torturas.
eu estarei
pra sempre lá
mesmo quando
estiver aqui.
distante.
estarei pensando
na tua vida
pequena
e nada intensa.
estarei contrapondo
a minha grandeza
na sua humildade.
estarei esbarrando
na tua falta
de loucura
que me mata
e me dói.
pois enquanto
eu viva estiver
serei a mesma
com o mesmo dedo amarelo
e o mesmo sorriso
e os mesmos cabelos
e a mesma falta de graça
na minha total
falta de
maleabilidade.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Inverno-Inferno (cont.)
Era maio. Inverno tão frio que, durante o banho, deixava o mijo escorrer-lhe entre as pernas: estreitamente a única coisa quente em seu corpo nu, tremulo. Não era mês para propiciar aquela gélida sensação... São Paulo estava mostrando-se menos acolhedora do que nunca, mais concreta, mais distanciadora. Agora ela passava a chegar em casa e encontrar um imenso vazio. Antes tudo era convidativo, aconchegante e tinha o calor de um respectivo lar. Hoje a televisão encontrava-se no chão, apoiada numa caixa de papelão marrom. Os pratos estavam carentes de armários e com isso recolhiam poeira sobre a única mesa do lugar. Ela repousava no sofá devido aos problemas respiratórios que tanto atormentavam seu sono, afinal, não possuía mais uma cama, apenas um colchão.
Fitou aquela angustia expressa em coisas avulsas distribuídas pelos cantos e sacou a Polaroid que herdou do pai de dentro da caixa de relíquias. Resolveu presentear-se com fotografias daquele inferno por ela vivido. Avida ficava mais bonita com aquelas fotos tonalizadas pelo ar antigo proporcionado pelo equipamento. Cercou o piso com as imagens da sua derrota. Embebeu uma dose de uísque causando desconforto para sua garganta, pois Catarina não se servia com nada alem de vinho tinto seco. Despiu-se. Fotografou a vulva, os seios, os pés, os olhos... espalhou tudo pelo apartamento escuro e após outro gole de um Bucchanan’s ganhado por Ciro, amigo de Alberto, recostou-se numa poltrona suja e, em alfa, descansou.
Iria recordar a sensação daquelas unhas tempos depois. Sentiria o toque de cada digital sobre os pelos cerrados debaixo, até o redor do umbigo, até a sobrancelha protuberante daquela face, que em face da saudade, lembrava-se de fatos ocorridos anos antes. Viria a ser uma daqueles saudosistas, que presos em sua eternidade não esquecem o sofrimento pois posicionam o êxtase acima de qualquer proposta.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Hoje
Como num ritual regrado e cercado de uma mistificação ignorante, sentei e vi o que havia para ser visto. A apatia fez-se completa, meu rosto não expressou sequer admiração e continuei a respirar. Por incrível que pareça, ainda estou viva e posso continuar a viver, comer, andar, falar, mijar e pensar. Eu continuei sendo um corpo, como jamais deveria deixar de ser e como jamais deveria imaginar não ser.
Aqueles três dias na cama me serviram de remédio para a gripe e para que eu me situasse nos fatos ainda pendentes de uma mente insana.
Comprar pão ainda é parte da rotina, fazer café também. Ver os onibus passando cheios "de pernas amarelas", ver as madames e seus bibelôs peludos e ver os bêbados que habitam o bar: tudo isso continuou a existir, como a vida que está aparte em mim agora.