segunda-feira, 16 de maio de 2011

a pétala dobrada

me dá essa musiquinha
nessa fonte noveau
nesse papelzinho dourado
nessa sala desordenada.

deixa o solzinho entrar
é de manhã, é domingo...

me dá um beijinho
no meu rostinho,
no meu pézinho,
em tudo meu...

me dá aqui essa presença
esse presente lindo
esse suspiro prolongadamente

. . .

demorado.

me dá a tua vidinha
pr'eu cuidar dela
juro que cuido direitinho...

me dá aqui,
eu te seguro
e
te liberto!

ah, meu deus...
bendito seja o dia,
a hora,
o momento exato,
a ordem das galáxias...

ah, meu deus,

bendito seja o dia que eu encontrei você.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Re: (Mudança.)

você mudou esse pampeiro quando você quis.
agora eu mudei fica de boa flw

náusea

fique quieta um pouco, Tereza
você me dá azia,
você me causa ansia...

fique relaxada por um momento, Tereza
assim você me enlouquece,
me escurece as vistas...

fique em transe, Tereza
assim você se acalma,
assim você me esquece...

terça-feira, 10 de maio de 2011

UMA

é como um casaco de veludo no inverno:
seus olhos indo e vindo, encontrando abrigo
nos meus olhos pelados, nuinhos
vazios, abrigando a imensidão das folhas
caindo num dia de outono,
antecedendo esse inferno inverno.

se fosse de bom grado ou sinal de educação
estaria presa em teu corpo
implorando para que você me proteja
do gelo que escorre das folhas alaranjadas
que não é mais orvalho
mas sim, matéria sólida significando a falta de afago.

bem bonita seria essa paisagem
miragem surrealista em meio ao vendaval
cortando a tua tez alva
refletindo a tristeza da vida nossa
pisando esse chão cinza
cheirando a poeira da cidade

fazendo da vida o que ela é por exelencia
regozijando de êxtase no centro da alegria
vivendo apenas aquilo que me é de direito
aquilo que deve, por justiça, por sensatez
ser meu pertence dourado
isolando esse frio astuto e malandro
que envolve as minha linfas,
não tão brancas quanto as tuas,
numa noite de maio.

não haverá consequencia infinita
nunca haverá paz absoluta que reine
sob a minha coroa de majestade
que adquiri por meio da insolência
por meio da displiscencia
de uma vida cercada de medo, loucura
frigidez e pouca cura
deste imenso sulco cavado por ela
na superfície da nossa existência.

domingo, 8 de maio de 2011

oculto

uma divisão
de dois pés
sob um pano verde
e a luz do sol
por cima.

uma divisão
de um braço aqui
e o outro
lá.

uma divisão
de uma barba aqui
uma unha vermelha
ali.

uma divisão
de cabeças
rolando
entre cobranças

injustas.

uma divisão
de uma mãe
e um pai

mãe nesta face
pai naquela

divisão
injusta.

uma separação
casca grossa
que gerou
uma divisão
de vida

e

felicidade.

purple

deita essa garrafa
bebe mais um pouco
esquece esse tormento

e vem
me dizer
a velha nova
da noite.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

IPT

Aqui, na aula de pentecostes
Há uma igreja pequena
Onde se diz:
"Deus é amor!"

Meu Deus é amor
Só o meu Deus salva
Quando está embriagado
De vinho e cachaça podre.

Aqui, nesta sala
Que ferve feito o inferno
Meu Deus não entra
Pois ele gosta de frio

Maconha
Soda
Rock
E sexo seguro.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Querida Vizinha

(de uma brisa parcialmente bem aproveitada)


Não sei mais o que me lembra essa tua cara de louca. Você, por boa esposa, mãe de família e trabalhadora que suponho ser, não dispõe da sensatez irrevogável de uma boa convivência social.

Não venho por meio desta julgar-te ou tentar escavar o âmago dessa tua personalidade doentia. Acredito ainda, que foste uma criança sedentária e triste, vazia de afeto. Nenhuma criança feliz e amada é capaz de colecionar atos ridiculamente estúpidos na vida adulta.

Aqui, no apartamento de cima, vivemos regadas a felicidade de termos em mente que a existência é algo mais belo e profundo do que a amargura de uma vida seca e pobre como a tua.

Infelizmente, por excelência, por legitimação, é assim.


Atenciosamente,

Gossip Ganjah

terça-feira, 3 de maio de 2011

Poesia para minha amiga Terê

me
vê
dois desse
dois desse
dois desse
doce
- Débora Lopes

segunda-feira, 2 de maio de 2011

pense duas vezes antes de esquecer

Pense duas vezes antes de esquecer
Pense duas vezes antes de esquecer
Pense duas vezes antes de esquecer
O que aconteceu entre eu e você

Já te dei a senha do meu segredo
Já te dei a chave do meu coração
Minha digital impressa no seu dedo
Todos os seus beijos para o meu batom
Nossos pés pisaram as mesmas pegadas
Seus cabelos encaracolaram os meus
Tantos fins de tarde, tantas madrugadas
Não me deixe nunca pelo amor de Deus

Já senti saudade, já senti ciúme
Já te dei motivo pra perder a razão
Desse mal a gente nunca fica imune
Nunca demos chance pra desilusão
Nossos olhos viram as mesmas miragens
Os acasos se amarraram pra nós dois
Todas as risadas, todas as bobagens
Eu não tenho medo do que vem depois

Pense duas vezes antes de esquecer
Pense duas vezes antes de esquecer
Pense duas vezes antes de esquecer
O que aconteceu entre eu e você


- Marcelo Jeneci/Ortinho Arnaldo/Antunes

nóis casa em Catanduva

chega mais,
vamo casá.

me lê esse livrinho aí,
que hoje a gente vai casá.

devórvi esse revórvi pra caixa,
abaixa essa mão suja,
deita no meu colinho,
que se num fô hoje,
nóis num casa mais.

vem aqui nesse banquinho,
eu te dou uma beira,
meu neguinho.

senta aqui nesse cantinho,
vem me dá o teu cherinho,
que hoje nóis vai casá.

olha esse filminho
que coisa mais gostosa
na frente dessa janela
suada de chuva...

essa é a hora e o lugar
que a gente tem
pra casá.

óia esse zóinho preto
dessa menininha que te ama...

óia esse chameguinho
escorrengo da mão dela...

vem pra perto, lindo
que hoje nóis casa.

vem aqui nas minha vista,
bota a butina pro lado,
dobra bem dobrado a revista,
acende um cigarrinho,
que tá tudo pronto pra festa:
hoje nóis vai casá.

sábado, 30 de abril de 2011

Ay, ay, ay!

dor no pé
dor na cabeça
dor na dignidade

para resolver?
ajeitar a vida
encontrar a felicidade:

vem aqui em casa
vamos tomar um chocolate
quente
e assistir a centopéia humana
toda maluca
centopeiando na gente
fazendo a loucura condensar
no ar do meu lar

uai, rimou!

vem aqui em casa
vamos botar um incenso
pra cheirar a atmosfera
e ouvir um Jorge
cheio de alegrias
e flores
e chuvas
e Charles
e verão
nesse pais tropical
chamado São Paulo
onde mesmo num dia de sol,
o cinza imundo
invade as frestas
das janelas
desse apartamento velho

e reflete
na foto
dos Beatles.

Chica da...
Chica da...
Chica da Silva!

(e seu lago artificial)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

COMUMENTE É ASSIM

Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar.
Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.

- Vladimir Maiakóvski

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Silvia

Iria refletir sobre os estragos causados por aquela moreninha anos após a turbulência. Jamais pensaria que tão insignificante ser pudesse deixar cicatrizes fétidas e doloridas a esse ponto...

Lembrava-se dos pés dela junto aos dele naquela noite, gelando as unhas do homem, furtando qualquer privacidade existente naquele recinto anteriormente. As cobertas não pertenciam mais a uma só pessoa; a vista da janela, agora era propriedade dela.

Passou a sair nua do quarto para a cozinha, passou a deixar a porta aberta durante o banho, passou a comer com mil talheres - como num banquete sofisticado, coisa francesa ou algo do tipo - as entranhas do velho desprotegido. Ela fez da vida daquele ser algo infernal, repleto de pó, areia no olho, calor, suor e pesadelos. Era o diabo em forma de menina: de pele lisa, de cheiro de mulher gostosa.

Na cabeça moribunda, perpetuava o som de uma furadeira ensurdecedora. Perpetuava o barulho caótico e inconstante da cidade. Perpetuava acima de tudo a dor.

Ele sentava-se em seu local de trabalho, exercia os ofícios com singular destreza, usando a ponta dos dedos para tocar a superfície daquela maquina, deslizando pelos relevos nada íngremes de um teclado, elevando os olhos ao brilho ofuscante de uma tela de computador. Partiu da ideia de que não era mais capaz de levar a vida longe daquela garota, a morena de cabelos alongados e inescrupulosos. Pensava naquele bicho, naquele verdadeiro demonio, vestida para ele. Pensava que Silvia jamais seria sua propriedade e enlouquecia.

Aos poucos aquele velho de bigode enlouquecia.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Alberta

eu não precisei
de nada...
de dinheiro, eu não precisei.
de carro, eu não precisei.

tomei por conta uma jaqueta,
um isqueiro,
um cartão,
e a minha emoção.

não precisei de você
para sorrir nessa noite
nem precisei ouvir
o que deveria...

não precisei de juízo
não quis abrir os olhos
para a tua vidinha
só recebi a noitinha fria

de braços e olhos
arregalados.

precisei de uma mão
para segurar dois copos.
precisei da mão alheia
para me abrir a porta.

precisei de bons ouvidos
para sentir o som
negro, funk, jazz
rondando meu cérebro

efeito mais profundo
do que qualquer droga
que você exige
para a sua vidinha.

nem de poesia eu fiz questão
pois a que me interessava
estava no ar
solta, cheirando a bueiro

na noite de São Paulo...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

madre y padre

volta para a tua casa, filha
volta para o teu lugar
vem segurar teu mundo
com as mãozinhas frágeis,
filha

vem conhecer aqui, filha
onde é tua vida de verdade
esquece o hoje,
lembra-te de ontem,
filha

volta para a tua casa, filha
vem, que a comida está na mesa
quente, feita por quem te ama
fica envolta de mim,
filha

vem viver aqui, filha
olhar aqui, mais perto
saber o que sabemos
larga da loucura,
filha

volta para a tua casa, filha
vem morar com quem te ama
vem sentir o amor de quem te acolhe
vem olhar aqui, mais perto
filha...