domingo, 13 de maio de 2012
Preenchidas pelo vazio
quinta-feira, 10 de maio de 2012
"O virtuoso não experimenta a necessidade de dominar-se"
terça-feira, 8 de maio de 2012
Ollie
quinta-feira, 26 de abril de 2012
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . VERMELHO
domingo, 22 de abril de 2012
Amor punk
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Vazou pelas calcinhas
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Mestre
segunda-feira, 26 de março de 2012
Triste é ter certeza
Não suporto fluidos, suposições ou pressupostos. Sinto medo de acreditar que o mundo é menos químico do que penso em relação a quantidade de forças que sinto escorrer entre meus dedos como se fosse mera água para sedentos. Esvai-se justamente com a minha compaixão para com aqueles que amo, pois não sei o motivo de amá-los – são todos tão monstruosos quanto o meu rosto refletido num banheiro de bar onde o mijo afoga meus pés sem qualquer resquício de piedade. São todos tão solúveis quanto o caráter dos governantes que ouso blasfemar por puro esporte e exercício de uma indignação chata e sem retorno. Sinto como se toda explicação (ou tentativa de) fosse inútil, pois a dor que me assola miseravelmente parece não escutar palavras. Jogadas, ou não.
Triste é ter certeza.
Saber que nada será diferente do que é agora e que a morte é uma parábola entre o tempo e o espaço de uma vida mal aproveitada. Saber que a paciência acaba e que as pessoas defecam através de olhares intimidadores que boicotam a esperança alheia sem nenhum motivo aparente. Devoram o luxo que consomem, cuidam de seus corpos e pensam estarem felizes por que aceitam conviver num esgoto recorrente.
Não fecho os olhos, pois sinto o peso nas costas.
Não faço diferença, pois não tenho coragem.
Sigo, observando formigas trabalhadoras que desejam mais agonia à medida que cada sol nasce mais quente. Inventam novos seios para embelezarem aqueles velhos caídos. Implantam novas carnes para que um pau (puro símbolo fálico, escorregadio e sadio) seja uma arma. Comem a lavagem que é proporcionada com a boca aberta e as mãos imundas. Feios e escrotos desde dentro, representando isso para fora.
Sinto-me a vontade para dizer que desejo a morte imediata de cada ser humano habitante da Terra.
(o receio não existe)
segunda-feira, 19 de março de 2012
é assim que sinto
segunda-feira, 12 de março de 2012
HOMO ERECTUS
segunda-feira, 5 de março de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
ruir
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Ana, eu não gosto mais de você.
Sempre que Ana vinha com aquelas perguntas descaradamente cretinas eu pensava se ela, por um lapso de segundo qualquer, poderia se dar conta do quanto eu detestava seus interesses nada relevantes. Eu já não sabia mais se ela era relevante na minha vida, mas eu tinha uma ânsia quase jocosa quando ele me perguntava “esquerda ou direita”, “embaixo ou em cima”, “azul ou amarelo”.
Ana, saiba que nada disso importa. Meu signo não muda o fato de eu gostar de meter em você por trás... Minha camiseta de listras vermelhas não quer dizer que eu penso em te agradar ou ficar bonito para uma noite no cinema: é só mais uma noite de merda em que eu vou assistir algum filme estúpido, de qualidade duvidosa, para que você não chore pitangas demais no meu colarinho...
[Ana, eu não penso em nada. Nem em você.]
Ela queria saber a todo momento como eu passei o almoço de domingo ao lado da minha família. Queria saber se meu cachorro Brutus havia melhorado da doença no fígado,
{uma vez que nem eu, que era o dono daquele maldito labrador, lembrava que ele estava com hepatite, cirrose, sei lá}
ficava me perguntando se minha mãe já tinha entrado de férias – por que ela estava cansada, “falei com ela outro dia, Diogo. Ela disse que estava muito cansada. A Diana não anda fazendo o serviço direito em casa e as aulas na escola estão cada vez mais exaustivas. Me disse até que está pensando em passar um tempo naquele spa da Barra, que seu pai ficou nas férias passadas”.
O defeito de Ana era pensar que nos casaríamos.
Imagine se eu, no auto dos meus vinte anos, teria coragem de pensar em me casar com aquela garota que prestava vestibular e me deixava maluco dizendo que “morre se não entrar na Federal do Rio”...
Nunca pensei nisso.
Mas Ana pensava demais.
Não me deixava beber, nem fumar maconha enquanto surfava com os meus amigos. A transparência era uma qualidade totalmente afetada na nossa relação, por que ela me sufocava e as vezes eu queria matá-la. Tinha preguiça até de trepar com ela, por que sabia que depois de gozar, ao invés de deitar a bunda na cama e tirar um cochilo, ela ia querer me falar sobre amor e sobre como será a nossa vida depois que ela se mudasse de Niterói. Era um bombardeio cruel e, na verdade, eu poderia amar Ana.
Mas ela não me dava tempo para isso.
Durante todos os momentos em que eu pensava em amá-la (somente amá-la), nada menos sincero que isso, ela me vinha com indagações inúteis. Qual era o sentido em levar minha paciência até Júpiter só por que eu queria fazer um campeonato de quem goleava com a camisa do Flamengo no FIFA e arrotava mais alto com os meus amigos?
[Nunca proibi que ela fosse com aquela gangue de putas mirins no shopping comprar aqueles vestidinhos justos de vagabunda. Nunca impedi que ela passasse o dia a água e alface enquanto eu queria comer carne feito um pré-histórico.]
Ela tinha um sentimento de posse sobre mim. Me tratava feito um moleque de cuecas cagadas enquanto eu só era um moleque que pensou que ela fosse uma menina interessante.
Ana cresceu tão rápido quanto seus peitos, e, apesar de me culpar por isso, a culpa não era minha.
sábado, 28 de janeiro de 2012
muda/mundo/mudo
uma garganta apertada
que provém
não sei do que
e termina
não sei onde.
mundo
[mudo]
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O segundo sexo
“(…) a lei ou os costumes impõem-lhe o casamento, proíbem as medidas anticoncepcionais, o aborto e o divórcio. São exatamente essas velhas coações do patriarcado que a URSS ressuscitou; reavivou teorias paternalistas do casamento; e com isso foi levada a pedir novamente à mulher que se torne objeto erótico: um discurso recente convidava as cidadãs soviéticas a cuidarem dos vestidos, a usarem maquilagem, a se mostrarem faceiras para reter seus maridos e incentivar-lhes o desejo. É impossível, vê-se por esse exemplo, encarar a mulher unicamente como força produtora; ela é para o homem uma parceira sexual, uma reprodutora, um objeto erótico, um Outro através do qual ele busca a si próprio.”
Simone de Beauvoir – O segundo sexo.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
DOORS PARA NÃO MORRER
indian summer
é a coisa que se escuta
com os sentidos aguçados
depois de dar um pito
sem lagrimas nos olhos,
mas com motivos para chorar.
enquanto sente o cérebro chapado
estatelado
olhando os pés
com aquelas malditas meias coloridas
que só se usa debaixo das asas dos pais.
sem uísque
sem larica
{sem porra nenhuma}
ouvindo
{cabeça no travesseiro, mão na nuca}
indian summer e só.
- de uma piração transcendente, meio mutante, meio esquizofrênica, meio entorpecente.

