quinta-feira, 31 de março de 2011

''Acreditamos todos que é impensável que o amor de nossa vida possa ser uma coisa leve, uma coisa imponderável; achamos que nosso amor é o que devia ser; que sem ele nossa vida não seria nossa vida. Convencemo-nos de que Beethoven em pessoa, triste e de cabelos revoltos, toca seu 'Es muss ein!'* para nosso grande amor.''




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*Tem de ser!

sábado, 26 de março de 2011

carta de navegação ateísta.

Não há um ou mais deuses aqui.
Não vim a este lugar com uma missão determinada por forças maiores que eu.

Não existem mandamentos divinos escritos nos meus ossos, o que me faz crer que nada está definido desde meu nascimento. Quem escreve essa história - e aos poucos os meus mandamentos - sou eu.
Eu mesmo vou construir meu navio e viajar pra onde eu quiser, longe de regras irracionais, longe desses vossos grilhões. Como navegante de fora das esquadras oficiais. Talvez pirata do mundo, porque as correntes das religiões de vocês, bilhões, jamais me prenderão.
E sendo esse pirata, navegarei.

A diferença entre a tripulação do meu navio e dos outros é que nós sabemos que, no final, esse grande oceano vai terminar numa enorme catarata, beira de abismo sem fim, preenchida de silêncio, e todos os barcos ali se findarão.



Vou fugir de vocês, vou pra onde eu quiser no meu navio de piratas.
Sem pressa demais, sem dor demais, sem amor demais.
Tudo é só história, tempo, água, águas...



H.G.S.

domingo, 20 de março de 2011

dos rascunhos.

A impressão que tenho é a de que perdi algo de extrema importância.

Guardei seja lá o que for, por muito tempo, desde o dia em que nasci. Mas então, de repente, num instante, me percebi sem.

Eu deixei cair? Quebrei? Alguém levou sem pedir? Pediram e não percebi?


E agora é assim, eu procuro todos os dias por aquilo que não sei o que é, nem que forma tem, nem quanto pesa ou como se usa.
Não sei nem se vou encontrar. Sei que continuo procurando, procurando, e procurando...

quarta-feira, 16 de março de 2011

de 14/2.

Não é difícil abrir meu coração. Difícil é entender o que tem dentro.

Não que seja especial ou queira ser. Acho que qualquer peito aberto é complicado demais.

Eu fico aqui, com a sensação de que tenho muita coisa pra falar. Mas não, eu já falei tudo, já falei o pouco e muito que precisava. Eu continuo repetindo, repetindo, trocando umas palavras, trocando meus pontos finais de lugar, pra ver se eu consigo ser convincente de que alguém nesse mundo pode ser especial, e talvez mais, que esse alguém seria eu.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Grande Vale das Dores

Não será de mero efeito

Qualquer droga ou qualquer vicio

Tomado para amenizar os horrores

Desse imenso, gigantesco vale de dores.

Não adiantará rondar pelo mundo

Procurar lugares habitáveis

Onde nada poderá ferir o sentido

Dessa vida, desse imenso vale de dores.

Já está feito, desde que a vida é vida

Já está tido como certa a angustia do ser

Já está esculpia em pedra rara

A falta de amor e de candura

Que gera e faz crescer

Cada dia mais esse imenso,

Gigantesco vale de dores...

quarta-feira, 2 de março de 2011